Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Araguaína

UPA de Araguaína confirma superlotação, e servidores relatam falta de espaço até para medicar pacientes

Segundo quem trabalha na unidade, a procura aumentou após o fim da porta aberta no Hospital Regional

Foto: Divulgação

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Anatólio Dias Carneiro, a única de Araguaína, admitiu nesta sexta-feira (6) que enfrenta superlotação e maior tempo de espera. Servidores da unidade relataram ao RepórterTO que o volume de pacientes aumentou de forma significativa depois que o Governo do Tocantins acabou com o atendimento direto no Hospital Regional de Araguaína (HRA).

Desde então, quem procura o Regional por conta própria não é mais recebido. Segundo os servidores, boa parte desses pacientes passou a buscar a UPA.

Os servidores também afirmam que o Regional tem demorado muito para receber os pacientes que a UPA encaminha para lá. Enquanto a transferência não sai, o paciente continua ocupando espaço na unidade.

Sem lugar nem para medicar

Segundo os servidores, a lotação chegou a um ponto crítico. "Não tá tendo lugar nem para medicar paciente", contou um deles.

A maior parte dos atendimentos é de casos de trauma. Há também um número expressivo de pacientes idosos.

Para quem trabalha na unidade, a saída depende do Estado. "Se o Regional não voltar a ser porta aberta, não sei nem o que vai acontecer", disse outro servidor.

O que diz a unidade

Em comunicado publicado nas redes sociais, a UPA atribui a lotação ao aumento da procura por atendimento, sem citar a mudança no Regional.

A unidade afirma que segue a classificação de risco, com prioridade para os casos mais graves, independentemente da ordem de chegada. O texto também pede compreensão da população e respeito aos profissionais de saúde e aos demais pacientes que aguardam atendimento.

Regional fechou a porta em agosto

A mudança no HRA foi anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) e começou em 1º de julho. A partir dessa data, a Sala Vermelha, área para pacientes em risco de morte, passou a receber apenas quem fosse autorizado pelo Complexo Regulador Estadual.

Em 3 de agosto, o hospital deixou de funcionar como "porta aberta". Todo o acesso passou a ser controlado pela regulação estadual, e o paciente sem encaminhamento foi direcionado à UPA e aos hospitais de referência da região. Na época, o Governo do Tocantins justificou a medida como forma de reduzir a superlotação no próprio Regional.

Problema já tinha sido apontado

Em julho, o RepórterTO mostrou que a UPA de Araguaína, que já enfrentava episódios de superlotação, passaria a concentrar boa parte dos pacientes que antes iam direto ao hospital.

O anúncio do governo não informava se a unidade receberia reforço de equipes ou de estrutura para dar conta da nova demanda.

Íntegra do comunicado da UPA

"Atenção, população de Araguaína!

A UPA Anatólio Dias Carneiro está enfrentando um cenário de superlotação devido ao aumento significativo da procura por atendimento, o que tem provocado maior tempo de espera na unidade.

Reforçamos que os atendimentos continuam sendo realizados conforme a classificação de risco, priorizando os pacientes em situações de maior gravidade, independentemente da ordem de chegada.

Nossas equipes seguem trabalhando para garantir a assistência à população, mesmo diante da alta demanda.

Neste momento, contamos com a compreensão e a colaboração de todos, especialmente com o respeito aos profissionais de saúde e aos demais pacientes que aguardam atendimento.

O cuidado continua. A prioridade é preservar vidas."