Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Estado

Sem receber do Estado, hospitais e clínicas anunciam suspensão de novos atendimentos pelo SUS e Servir no Tocantins

Sindicato afirma que atrasos nos pagamentos comprometem o funcionamento das unidades

Foto: Divulgação

Hospitais e clínicas particulares que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e do plano Servir no Tocantins anunciaram que vão suspender novos atendimentos eletivos devido a atrasos nos repasses do Governo do Estado. A decisão foi comunicada pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Tocantins (Sindesto), que afirma que as unidades não têm mais condições financeiras de continuar assumindo despesas sem receber pelos serviços prestados.

A medida poderá atingir pacientes que precisam de consultas, exames e procedimentos previamente programados, realizados por estabelecimentos privados contratados para atender à rede pública e aos beneficiários do Servir.

Segundo o Sindesto, os hospitais e clínicas acumulam pagamentos pendentes de diferentes períodos. A entidade afirma que o governo não cumpriu os prazos anteriormente acertados para quitar as dívidas, agravando as dificuldades financeiras dos prestadores.

A suspensão será restrita à entrada de novos atendimentos eletivos. Os pacientes que já recebem assistência continuarão sendo atendidos, assim como aqueles que necessitarem de serviços de urgência e emergência, conforme informou o sindicato.

Pacientes poderão enfrentar mais dificuldades para conseguir atendimento

A decisão atinge uma parte da rede privada que presta serviços à população por meio de contratos com o poder público.

Na prática, pacientes que dependem dessas unidades para realizar procedimentos não urgentes poderão encontrar dificuldades para conseguir novos atendimentos enquanto a situação financeira não for resolvida.

A medida também poderá aumentar o tempo de espera por consultas, exames e outros procedimentos, caso a suspensão seja efetivada e não haja alternativas suficientes para absorver a demanda.

O Sindesto ainda não informou quando a interrupção começará, quais estabelecimentos participarão da medida nem quantos pacientes poderão ser afetados.

Também não foi esclarecido como ficarão os procedimentos já agendados, mas que ainda não tiveram início.

Sindicato afirma que acordos de pagamento não foram cumpridos

A entidade atribui a decisão ao acúmulo de dívidas e à falta de recursos para manter novos atendimentos.

De acordo com o Sindesto, hospitais e clínicas vêm utilizando recursos próprios para custear profissionais, materiais e demais despesas necessárias ao funcionamento dos serviços, enquanto aguardam pagamentos do Estado.

O sindicato sustenta que os compromissos assumidos anteriormente pelo governo para regularizar os débitos não foram cumpridos.

A situação ocorre após uma série de reclamações dos prestadores privados sobre atrasos nos repasses destinados ao SUS e ao Servir.

Em outubro, o setor já havia alertado para dificuldades na manutenção dos serviços, incluindo a capacidade de receber novos pacientes em unidades hospitalares.

Apesar das cobranças, o valor total da dívida atual ainda não foi divulgado.

Hospitais vão detalhar dívida e suspensão nesta quarta-feira

O Sindesto convocou uma entrevista coletiva para esta quarta-feira (4), às 16h30, no auditório do Sindicato dos Médicos do Estado do Tocantins (Simed-TO), em Palmas.

A entidade deverá apresentar os valores que afirma ter a receber do Governo do Tocantins, os períodos de pagamento em atraso e os acordos que, segundo os prestadores, não foram cumpridos.

Também estão previstas explicações sobre quais serviços serão atingidos e os possíveis impactos para os pacientes.

A mobilização conta com o apoio do Simed-TO e da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Tocantins (Coopanest).

A principal dúvida para os usuários do SUS e do Servir é quando a suspensão começará e quais unidades deixarão de receber novos pacientes. Essas informações ainda dependem de esclarecimentos do sindicato.