
A dona de casa Laise Sousa Carvalho, que ficou conhecida no Tocantins após se acorrentar aos portões do Hospital Geral de Palmas (HGP) para conseguir tratamento para o filho Kauan, de 5 anos, enfrenta outra situação delicada dentro de casa. Sua filha mais velha, Larissa, de 10 anos, está em tratamento contra a leucemia e precisa viajar todos os meses de Paraíso do Tocantins para Campinas, no interior de São Paulo.
Com dois filhos que necessitam de cuidados constantes, Laise divide sua rotina entre hospitais, medicamentos, viagens e as dificuldades financeiras da família. Enquanto acompanha o tratamento da filha, também precisa garantir a assistência diária de Kauan, que não anda, não fala, apresenta dificuldades respiratórias e se alimenta exclusivamente por sonda.
Larissa recebe acompanhamento no Centro Infantil Boldrini, em Campinas, onde realiza consultas, exames e tratamento contra o câncer.
"Ela faz o tratamento de leucemia em Campinas e continua indo todos os meses lá no Hospital Boldrini. Todos os meses a gente tem que ir: ela faz exames, toma medicação e, se correr tudo bem, retorna para casa. O tratamento da Larissa ainda vai continuar com essas idas todos os meses até 2028", contou Laise.
Filha de 10 anos faz quimioterapia e precisa viajar todos os meses
O tratamento de Larissa exige acompanhamento frequente, mesmo quando ela está em casa, no Tocantins.
A menina recebe quimioterapia injetável semanalmente e também utiliza medicação oral diariamente. Nos fins de semana, toma um medicamento preventivo como parte dos cuidados relacionados ao tratamento.
As viagens mensais a Campinas são necessárias para a realização de avaliações médicas e continuidade dos procedimentos.
Durante a permanência em São Paulo, a família costuma utilizar uma casa de apoio. Entretanto, despesas com alimentação e transporte por aplicativo precisam ser custeadas pelos próprios familiares.
Quando Laise ou o marido acompanha Larissa, Kauan permanece em Paraíso do Tocantins sob os cuidados da avó materna e de outros parentes.
Família enfrenta dificuldades para pagar despesas básicas
A renda da casa vem do benefício assistencial recebido por Kauan e do trabalho do pai das crianças como pedreiro.
Como ele trabalha por diárias, os períodos em que precisa acompanhar a filha ao hospital em São Paulo também representam perda de renda.
"Quando ele precisa viajar com a Larissa, não ganha dinheiro, porque ganha na diária quando tem serviço. Fica bem difícil para nós e faltam coisas básicas dentro de casa", relatou Laise.
Além das despesas das viagens, a família precisa comprar materiais utilizados diariamente nos cuidados com Kauan, especialmente itens descartáveis para alimentação e higiene.
A necessidade de acompanhamento permanente dos filhos também interfere na organização da rotina familiar e na possibilidade de manter uma fonte de renda regular.
Crise de abastecimento de água agravou dificuldades
A família também foi afetada pela crise hídrica registrada em Paraíso do Tocantins.
Durante o período de problemas no abastecimento, Laise chegou a utilizar galões de água doados para dar banho em Kauan, economizando o líquido com pequenos recipientes.
Embora o fornecimento de água encanada tenha sido restabelecido na residência, a mãe afirma que continua utilizando água mineral para preparar os alimentos.
"A Larissa faz quimioterapia e o Kauan tem a saúde muito frágil. A água vem esbranquiçada e com muito cloro, então só usamos mesmo para o banho", explicou.
O relato mostra como problemas de infraestrutura e dificuldades financeiras acabam interferindo na rotina de uma família que já precisa dedicar grande parte do tempo aos cuidados médicos dos filhos.
Mãe se acorrentou ao hospital para conseguir transferência de Kauan
A história de Laise ganhou repercussão em setembro, quando ela se acorrentou aos portões do Hospital Geral de Palmas para cobrar uma transferência que permitisse avaliar a possibilidade de cirurgia cardíaca para Kauan.
Na ocasião, a mãe buscava atendimento especializado fora do Tocantins.
Após o protesto no HGP, Laise voltou a se acorrentar, desta vez em frente ao Ministério Público do Tocantins, no dia 9 de setembro.
O Governo do Estado informou, em 12 de setembro, que a transferência havia sido autorizada, mas ainda dependia da disponibilidade de uma vaga hospitalar em São Paulo.
A viagem ocorreu no fim daquele mês. Kauan chegou à capital paulista em 25 de setembro e passou por uma série de exames, incluindo tomografias, eletroencefalograma e cateterismo cardíaco, realizado no dia 29.
Os médicos avaliaram a possibilidade de intervenção cirúrgica, mas a família recebeu, no início de outubro, a notícia de que o estado clínico do menino não permitia a realização do procedimento.
Segundo informações apresentadas anteriormente pela Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, a cirurgia de Fontan já havia sido considerada contraindicada em razão do comprometimento dos acessos vasculares e da fragilidade clínica de Kauan.
Após as avaliações em São Paulo, Laise publicou um vídeo relatando a conclusão dos médicos.
"É bem difícil começar. Esse vídeo, sabe? A médica acabou de passar, fizeram a reunião e infelizmente não tem nada para se fazer pelo Kauan. Ele tem muitos problemas neurológicos, no pulmão, e não dá para fazer nada por ele", disse, na ocasião.
A impossibilidade da cirurgia, conforme a avaliação médica relatada, não elimina a necessidade dos cuidados contínuos de que a criança depende.
Cuidados com os dois filhos fazem parte da rotina da família
Com Larissa em tratamento contra a leucemia e Kauan necessitando de assistência permanente, Laise e o marido precisam conciliar compromissos médicos em diferentes cidades com as despesas da casa.
A filha mais velha deverá continuar viajando mensalmente a Campinas até 2028, conforme o cronograma informado pela mãe.
Enquanto isso, Kauan permanece dependente de cuidados para alimentação, higiene e acompanhamento de suas condições de saúde.
A família segue dividindo seu tempo entre as necessidades das duas crianças e os custos de uma rotina marcada por tratamentos médicos, deslocamentos e limitações financeiras.
Créditos: informações do g1 Tocantins.

