Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Policial

Dirigente religioso é indiciado por 19 crimes após relatos de ameaças, agressões e importunação sexual em Palmas

Polícia Civil concluiu sete inquéritos e afirma que investigado usava posição de liderança espiritual para exercer controle psicológico sobre frequentadores da instituição

Foto: Imagem gerada por IA

Um dirigente religioso de 38 anos foi indiciado por 19 crimes após a Polícia Civil concluir sete investigações envolvendo frequentadores de uma instituição religiosa em Palmas. Entre as acusações estão violência psicológica contra mulheres, ameaças, agressões, perseguição, discriminação, importunação sexual e indução ao consumo de drogas.

O investigado foi identificado pelas iniciais F.C.L.. Segundo a 3ª Delegacia de Polícia de Palmas, ele utilizava a posição de liderança espiritual e a influência exercida sobre os frequentadores para criar um ambiente de controle e submissão.

Os relatos reunidos nos inquéritos descrevem situações que teriam ocorrido inclusive durante rituais e aconselhamentos religiosos.

De acordo com a investigação, informações pessoais e segredos compartilhados pelas vítimas em conversas privadas teriam sido posteriormente utilizados pelo dirigente para constrangê-las ou expô-las diante de outras pessoas.

A Polícia Civil também recebeu relatos de ameaças envolvendo doenças, morte e supostos males espirituais, principalmente contra frequentadores que manifestavam intenção de abandonar a instituição.

Mulher teria sido impedida de procurar atendimento médico

Entre os episódios investigados está o relato de uma mulher que afirmou ter sido impedida de procurar atendimento médico após sofrer ameaças de caráter espiritual. Segundo o inquérito, ela também teria sido vítima de agressões físicas.

Outra vítima declarou ter sido pressionada a permanecer na instituição mesmo quando precisava prestar auxílio à filha, que necessitava de atendimento hospitalar.

Os policiais também apuraram relatos de humilhações públicas, violência verbal e psicológica, perseguições e manifestações discriminatórias relacionadas à raça, orientação sexual e identidade de gênero.

Importunação sexual teria ocorrido durante suposta incorporação

Um dos inquéritos apurou uma denúncia de importunação sexual.

Conforme a investigação, uma mulher relatou ter sido tocada sexualmente sem consentimento enquanto o dirigente alegava estar incorporando uma entidade espiritual.

A mesma vítima afirmou que posteriormente passou a sofrer assédio e que o investigado chegou a invadir sua residência durante a noite.

Outro procedimento apurou a denúncia de agressões físicas contra um homem dentro da instituição religiosa.

Polícia apura uso de maconha e cocaína

As investigações também encontraram elementos relacionados ao fornecimento e à indução ao consumo de drogas ilícitas.

Segundo a Polícia Civil, há relatos de uso de maconha e cocaína sob a justificativa de que as substâncias auxiliariam os frequentadores a alcançar uma suposta conexão espiritual.

Essa conduta também resultou em indiciamento.

Seis indiciamentos são por violência psicológica contra a mulher

Para concluir os sete inquéritos, os investigadores analisaram depoimentos de vítimas e testemunhas, gravações de áudio, laudos técnicos e outros elementos reunidos durante a apuração.

Do total de 19 indiciamentos atribuídos a F.C.L., seis são por violência psicológica contra a mulher e três por ameaça.

O homem também foi indiciado duas vezes por injúria. Entre os demais crimes apontados estão injúria real, discriminação relacionada à identidade de gênero, perseguição, importunação sexual, violação de domicílio, lesão corporal e indução ao consumo de drogas.

Com a conclusão das investigações, os sete inquéritos foram encaminhados ao Poder Judiciário, que dará prosseguimento às providências cabíveis.

A Polícia Civil não divulgou o nome completo do investigado.