Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Araguaína

Araguaína chega ao 4º dia sem transporte coletivo em meio a queda de braço entre concessionária e Prefeitura

Empresa diz que falta de combustível paralisou os ônibus e pede revisão do subsídio; Município afirma que repasses estão em dia e ainda analisa a solicitação

Foto: Divulgação

Araguaína chegou nesta quinta-feira (27) ao quarto dia sem transporte coletivo urbano, e o impasse entre a concessionária e a Prefeitura continua sem solução.

De um lado, a Araguaína Transportes afirma que a operação entrou em colapso financeiro e que a paralisação ocorreu depois que um dos principais fornecedores suspendeu o abastecimento de diesel por falta de pagamento.

Do outro, a Prefeitura de Araguaína sustenta que o subsídio mensal de R$ 351 mil está sendo pago normalmente e que ainda analisa o pedido da empresa para elevar esse valor para R$ 591.974,94.

A diferença é de quase R$ 241 mil por mês, o equivalente a um reajuste de aproximadamente 69%.

Enquanto não há acordo sobre os custos do sistema, os ônibus permanecem fora das ruas.

Empresa diz que situação chegou ao limite

Segundo a concessionária, o problema se agravou no dia 21 de agosto, quando um dos principais fornecedores de combustível informou que não manteria o fornecimento diante de débitos acumulados.

A empresa afirma ter avisado a Prefeitura e a Agência de Segurança, Transporte e Trânsito (ASTT) sobre o risco de paralisação.

Três dias depois, na segunda-feira (24), os ônibus deixaram de circular.

A Araguaína Transportes sustenta que o valor atual do subsídio já não acompanha os custos da operação. Entre os gastos apontados estão diesel, pneus, peças, manutenção e salários.

A concessionária também afirma que o subsídio está sem reajuste desde 2024 e que a tarifa paga pelo passageiro não sofre alteração desde março de 2019.

Segundo a empresa, estudos e documentos já foram encaminhados ao Município para justificar a revisão do valor.

Prefeitura diz que não há atraso no subsídio

A Prefeitura afirma que os R$ 351 mil mensais previstos atualmente estão sendo repassados sem atraso.

O Município reconhece que recebeu o pedido de aumento, mas diz que ainda avalia os números apresentados pela concessionária antes de decidir se o reajuste será autorizado.

Segundo a administração, entram nessa análise os custos operacionais, a situação financeira do sistema e a capacidade orçamentária do Município.

A Prefeitura afirma que a decisão precisa considerar tanto a continuidade do serviço quanto a responsabilidade no uso de recursos públicos.

Usuários seguem sem solução

No meio da discussão entre concessionária e poder público estão os passageiros.

A paralisação afeta trabalhadores, estudantes, idosos e moradores que dependem do ônibus para se deslocar pela cidade.

Até a tarde desta quinta-feira, não havia previsão oficial de retomada do serviço.

Também não havia, até então, uma solução anunciada para o problema de combustível apontado pela concessionária nem uma decisão da Prefeitura sobre o pedido de aumento do subsídio.

O impasse segue aberto: a empresa diz que o valor atual não é suficiente para manter os ônibus em circulação; o Município afirma que cumpre o repasse vigente e que precisa analisar tecnicamente o aumento solicitado.

Enquanto isso, Araguaína continua sem transporte coletivo.