
Uma mãe se acorrentou ao portão do Hospital Geral de Palmas (HGP) na manhã desta quarta-feira (9) para cobrar a transferência do filho, Kauan, de 5 anos, para uma unidade de saúde em São Paulo. A criança nasceu com uma malformação cardíaca, está internada na UTI pediátrica e necessita de acompanhamento especializado.
A manifestação foi feita por Laise Sousa Carvalho. À tarde, ela deixou a frente do hospital e repetiu o protesto diante do Ministério Público do Tocantins (MPTO).
Segundo informações repassadas pelo órgão à TV Anhanguera, o MPTO passou a atender Laise nesta quarta-feira e informou que havia tomado conhecimento do caso naquele momento.
A busca da família pelo tratamento fora do Tocantins começou ainda em 2024.
Kauan nasceu com apenas um ventrículo funcional no coração e já passou por duas cirurgias. A família busca a realização de uma terceira intervenção, conhecida como cirurgia de Fontan, procedimento utilizado em determinados pacientes com esse tipo de cardiopatia congênita.
Atualmente, o menino permanece internado na UTI Pediátrica do HGP. Segundo as informações divulgadas, ele recebe alimentação por sonda, não fala, não anda e apresenta dificuldade para respirar.
Justiça determinou transferência em 2025
A transferência para São Paulo já havia sido determinada pela Justiça em julho de 2025.
A decisão assegurou ao menino o direito ao tratamento, além da presença de um acompanhante e auxílio com despesas de estadia e alimentação durante o período necessário.
Um ano depois, diante da não realização do procedimento, o juiz Edimar de Paula, da Vara da Família de Paraíso do Tocantins, determinou o bloqueio do valor necessário para viabilizar o tratamento fora do Estado.
A ordem prevê atendimento no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, no interior paulista, e transferência por UTI aérea.
Estado diz que cirurgia foi contraindicada após avaliação
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) apresentou uma versão diferente sobre a indicação do procedimento.
Segundo a pasta, Kauan foi acompanhado no Hospital Municipal de Araguaína e passou por avaliação das equipes de Cirurgia Cardiovascular e Cardiologia Pediátrica.
A secretaria afirma que a cirurgia de Fontan foi contraindicada naquele momento por causa das condições clínicas da criança, entre elas comprometimento dos principais acessos vasculares, fragilidade clínica e neurológica e necessidade de cuidados pós-operatórios especializados.
Apesar disso, após uma nova decisão judicial determinando o tratamento fora do Tocantins, a SES informou que já havia realizado a cotação do procedimento e que está adotando as providências necessárias para dar continuidade ao tratamento.
Íntegra da nota da Secretaria de Estado da Saúde
"A Secretaria de Estado da Saúde informa que a decisão judicial inicial foi cumprida, com o paciente sendo acompanhado no Hospital Municipal de Araguaína, unidade de alta complexidade habilitada para o atendimento do caso.
Após avaliação criteriosa das equipes de Cirurgia Cardiovascular e Cardiologia Pediátrica, o procedimento de Fontan foi contraindicado neste momento devido à condição clínica do paciente, que apresenta comprometimento dos principais acessos vasculares, fragilidade clínica e neurológica, além da necessidade de cuidados pós-operatórios especializados, fatores que elevam significativamente os riscos de uma nova intervenção cirúrgica.
Posteriormente, diante de nova decisão judicial determinando a transferência do paciente para tratamento fora do Estado, a Secretaria de Estado da Saúde informa que a cotação para a realização do procedimento já havia sido realizada previamente e que as providências necessárias estão sendo adotadas para a continuidade do tratamento."
Com informações do g1 Tocantins.

