
Maycon Douglas Sousa do Nascimento, preso em maio após agredir e estuprar a própria avó em Araguaína, foi condenado a 20 anos e quatro meses de prisão, em regime inicial fechado. A Justiça acolheu a acusação do Ministério Público do Tocantins (MPTO) e reconheceu a prática dos crimes de tortura, estupro e tentativa de roubo.
A sentença é de primeira instância e ainda cabe recurso. A prisão preventiva de Maycon foi mantida.
O crime ocorreu dentro da casa da vítima, no Setor Bela Vista. Segundo a denúncia apresentada pela 11ª Promotoria de Justiça de Araguaína, Maycon entrou no imóvel e passou a exigir dinheiro da avó. Durante a violência, a idosa foi agredida, arrastada pelos cabelos e submetida a violência sexual.
Ela conseguiu sair da residência e pedir ajuda.
Na época do crime, o RepórterTO acompanhou a prisão de Maycon. A Polícia Militar havia sido acionada inicialmente para uma ocorrência registrada como roubo. Quando os policiais chegaram à residência, encontraram a vítima e receberam o relato das agressões e da violência sexual.
Após buscas, Maycon foi localizado escondido na casa de um parente, no Setor Couto.
Confessou crime ao RepórterTO
Logo após ser preso, Maycon admitiu o que havia feito tanto aos policiais quanto à equipe do RepórterTO.
“Eu sei que eu fui errado, não vou mentir”, declarou na ocasião.
Questionado pela reportagem sobre o que teria acontecido antes do crime, ele afirmou que havia passado a noite usando drogas.
O tenente Robson, da Polícia Militar, que falou sobre a ocorrência na época, destacou o comportamento do suspeito após a prisão.
“Réu confesso, realmente algo que nos causa estranheza, fazer isso com a própria avó”, afirmou o oficial.
Vítima continuou sofrendo consequências
Durante o processo, o Ministério Público sustentou que os efeitos da violência permaneceram mesmo depois do crime.
Nas alegações finais, o promotor de Justiça Matheus Eurico Borges Carneiro afirmou que a idosa passou a enfrentar dificuldades para dormir, medo de ficar sozinha e receio de que o neto pudesse retornar.
“Ela não consegue dormir direito, chora, tem medo de ele ficar solto, tem traumas até os dias atuais. Toda vez que fecha os olhos, lembra do que aconteceu, qualquer barulho a deixa assustada e ela tem medo de ficar sozinha”, relatou o promotor.
Pena passa de 20 anos
Ao julgar o caso, a Justiça fixou a pena total em 20 anos e quatro meses de reclusão, com início do cumprimento em regime fechado, pelos crimes de tortura, estupro e tentativa de roubo.
Maycon também havia sido acusado de lesão corporal qualificada e ameaça majorada, mas foi absolvido dessas duas imputações com aplicação do princípio da consunção. Nesse entendimento, determinadas condutas foram consideradas meios para a prática dos crimes pelos quais ele acabou condenado.
A prisão preventiva foi mantida após a sentença.

