De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, conversas de WhatsApp encontradas no celular do ex-controlador do Banco Master contradizem nota em que o senador tocantinense negou qualquer relação com Vorcaro; assessoria do parlamentar não se manifestou até a publicação da coluna.
Mensagens de WhatsApp trocadas entre o senador Irajá (PSD-TO) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam uma relação de proximidade entre os dois, incluindo convites para viagens e um encontro em um imóvel de luxo na França. A informação é do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que teve acesso à íntegra da conversa, extraída do celular de Vorcaro pela Polícia Federal após sua primeira prisão, em novembro do ano passado.
A negativa do senador em março
Segundo a coluna, o próprio Irajá já havia se manifestado publicamente sobre o assunto em março deste ano, depois que seu número apareceu na lista de contatos de Vorcaro. Na ocasião, o senador classificou como "completamente inverídica" qualquer informação de que o ex-banqueiro tivesse lhe enviado mensagens, e afirmou que constar na agenda de contato de Vorcaro "não significa absolutamente nada". As mensagens agora reveladas pela coluna, no entanto, mostram trocas frequentes entre os dois ao longo de cerca de um ano.
O que mostram as mensagens
De acordo com o material obtido pela coluna, os contatos entre Irajá e Vorcaro começaram em outubro de 2024, quando o banqueiro salvou o número do senador e recebeu dele a primeira mensagem, perguntando por "nossas norueguesas". Vorcaro respondeu com bom humor, e Irajá se ofereceu para providenciar algo, numa troca que a coluna descreve como de tom descontraído entre os dois.
Nos dias seguintes, o senador chamou o banqueiro de "líder" em diversas mensagens, perguntou se ele havia viajado bem, e recebeu um convite para ir a Dubai, que disse não poder aceitar naquele momento. Também pediu para ser incluído em um grupo de amigos de Vorcaro no WhatsApp, pedido que foi atendido.
Encontro em Saint Tropez e pedido de contato
Segundo a coluna, em março deste ano Irajá pediu para se encontrar pessoalmente com Vorcaro, dizendo ter "um tema importante" a tratar e oferecendo recebê-lo em seu gabinete no Senado. O encontro, no entanto, acabou ocorrendo na casa do banqueiro, no Lago Sul, em Brasília. Ainda segundo o material, o senador pediu na ocasião o contato de uma pessoa identificada como "Reinaldo Master Investimentos", que Vorcaro lhe passou.
Dias depois, Irajá convidou o banqueiro para acompanhar um jogo da Seleção Brasileira em um camarote na Arena Mané Garrincha, convite que não teve resposta. Em julho, segundo a coluna, os dois voltaram a se encontrar, desta vez na Villa Kezen, em Saint Tropez, destino de luxo na França, conforme mensagens em que o senador confirma o endereço e os dois combinam o encontro.
Insistência sobre projeto de jogos de azar
A coluna também mostra que Irajá insistiu, por diversas vezes ao longo de 2025, para que Vorcaro o ajudasse a avançar com um projeto de lei que libera jogos de azar no Brasil, incluindo cassinos, bingos e jogo do bicho, do qual o senador é relator. Em uma das mensagens, Irajá chega a escrever ao banqueiro que a demora na pauta do projeto "tá me prejudicando demais". O projeto, aprovado pela Câmara em 2023, chegou a ser pautado no Senado pelo presidente Davi Alcolumbre, mas foi retirado após resistência da bancada evangélica, e voltou a ser pautado e adiado novamente ao longo do ano.
Segundo a coluna, a última mensagem entre os dois, registrada no material da Polícia Federal, foi um documento em PDF enviado por Irajá a Vorcaro em 1º de novembro do ano passado, cujo conteúdo não pôde ser recuperado. Cerca de duas semanas depois, o banqueiro foi preso pela primeira vez.
Desistência da candidatura
Iraja é filho da ex-ministra Kátia Abreu, ocupa uma cadeira no Senado desde 2018, após dois mandatos como deputado federal, e é um dos principais nomes do PSD no Tocantins. Neste ano, ele desistiu da candidatura à reeleição para o Senado poucos dias antes do início oficial da campanha, alegando que seu nome havia sido preterido pelo partido no estado.
Nota da assessoria
Segundo a coluna de Lauro Jardim, a assessoria do senador foi procurada, mas não se manifestou até a publicação da matéria.

