
Aos 16 anos, a tocantinense Luísa Carvalho Paixão conquistou uma vaga na final de um dos concursos internacionais de redação promovidos pelo Instituto John Locke. A estudante, natural de Palmas, ficou entre os 17,5% melhores participantes do Global Essay Prize, competição que reuniu mais de 100 mil estudantes de 183 países.
Luísa representará o Brasil na fase final ao lado de Pedro Henrique Vaz Negrini, de Uberlândia, Minas Gerais. Os vencedores serão anunciados em outubro, durante programação do instituto no Reino Unido.
A tocantinense disputou a categoria Sênior de Economia e precisou desenvolver, em inglês e dentro do limite de duas mil palavras, uma resposta para uma questão provocativa: Jeff Bezos enriqueceu às custas de seus clientes, de seus funcionários, de nenhum dos dois ou de ambos?
Ela recebeu a confirmação de que havia avançado para a shortlist em julho.
"Espero conquistar alguma premiação, seja um dos prêmios da minha categoria ou, até mesmo, o prêmio geral. Isso seria muito importante. Ao mesmo tempo, independentemente do resultado final, já fiquei muito feliz por ter chegado até esta etapa e por tudo o que essa experiência representou", afirmou.
Economia, filosofia e matemática no mesmo texto
Para construir a argumentação, Luísa buscou referências em diferentes áreas, entre elas economia, filosofia e matemática.
Uma das obras utilizadas como inspiração foi Capitalismo, Socialismo e Democracia, publicada em 1942 pelo economista austríaco Joseph Schumpeter. A estudante também recorreu a publicações relacionadas à pandemia de Covid-19 e à Inteligência Artificial para estruturar a análise.
Além da qualidade da redação, a competição avalia o pensamento crítico dos candidatos. Os participantes também passam por etapas de verificação e podem ser entrevistados sobre o processo de construção e defesa da tese apresentada.
"Achei a proposta muito interessante e gostei bastante dos temas disponíveis neste ano, especialmente da pergunta que escolhi responder", contou Luísa.
Concurso entrou no radar durante busca por oportunidades no exterior
A participação começou por iniciativa da própria adolescente. Luísa encontrou o concurso enquanto pesquisava na internet cursos, olimpíadas e outras atividades acadêmicas que pudessem contribuir para um objetivo que já traçou para o futuro: cursar uma universidade fora do Brasil.
"Faço isso porque tenho o objetivo de cursar faculdade fora do Brasil e sei que essas experiências também são importantes para chegar até lá. Decidi tentar participar e desenvolver o texto, e foi assim que cheguei até a shortlist", explicou.
Depois de decidir participar, ela convidou a professora Fadia Samra para orientá-la na preparação do ensaio.
Segundo a professora, foram aproximadamente seis versões e sucessivos ajustes até chegar ao texto enviado para avaliação. Parte importante do trabalho foi adaptar a linguagem ao padrão acadêmico exigido em inglês.
"Ela imprimia os textos, nós nos reuníamos e eu ia corrigindo de caneta mesmo. Um grande desafio foi a tradução, pois nem tudo que funciona em português faria sentido em inglês, ainda mais a nível acadêmico", explicou Fadia.
Para a professora, a classificação reflete uma característica que acompanha Luísa desde cedo.
"Fiquei muito feliz com a conquista da Lu. Ela é extremamente focada e sabe exatamente o que quer e o que precisa fazer para alcançar. Outro diferencial é que a Luísa lê muito, desde pequena", afirmou.
Interesse por Economia começou cedo
A escolha da categoria também está ligada aos planos profissionais da adolescente.
Luísa conta que começou a se interessar por Economia a partir da curiosidade sobre dinheiro e sobre a forma como decisões financeiras interferem no comportamento das pessoas.
"Desde criança, sempre tive muito interesse por dinheiro e por entender como ele funciona. Estava perdida em relação à área que gostaria de seguir [?] e percebi que a Economia estava relacionada a um interesse que eu já tinha há bastante tempo", disse.
Apesar da rotina intensa de estudos, ela mantém atividades comuns à idade. Gosta de ler, assistir a filmes e séries, encontrar os amigos, cozinhar e brincar com a cachorrinha de estimação.
A mãe, Rafaella Carvalho de Souza, de 45 anos, afirma que a família procura conciliar a preparação acadêmica da filha com uma rotina equilibrada.
"Escolhemos focar no sonho, e não nas dificuldades. [?] Luísa tem uma força imensurável dentro dela, que a move e a faz continuar focada em seus sonhos, independentemente dos desafios e das dificuldades que precise enfrentar", afirmou.
Final será no Reino Unido
O Global Essay Prize possui dez categorias, além de um prêmio geral destinado à melhor redação entre todas as áreas.
Segundo as informações divulgadas sobre a competição, estudantes com menos de 19 anos podem participar. Depois da primeira etapa, aproximadamente 17% dos mais de 100 mil inscritos avançaram para a lista de finalistas.
A fase seguinte inclui verificação de originalidade dos trabalhos, entrevistas por amostragem e testes de proficiência em inglês.
Os classificados são convidados para a Conferência Acadêmica e o Jantar de Gala do John Locke Institute, programados para ocorrer entre 2 e 4 de outubro, em Londres.
Na cerimônia serão conhecidos os primeiros, segundos e terceiros colocados de cada categoria, além do vencedor do Grande Prêmio.
Enquanto aguarda o resultado, Luísa diz que a própria classificação já reforçou uma convicção que orienta seus planos.
"Eu não só acredito, como sinto que tenho que acreditar, porque grande parte da minha vida e dos meus objetivos é baseada nos estudos. Se eu não acreditasse que todo esse esforço pode trazer resultados, estaria colocando em dúvida muito daquilo pelo que venho trabalhando", afirmou.
Com informações do g1 Tocantins.

