
A Prefeitura de Araguaína publicou nesta quinta-feira (17), no Diário Oficial do Município, o resultado definitivo das provas objetivas dos editais 001, 002, 003 e 004 do concurso público que vai preencher cargos efetivos do Quadro Geral do Poder Executivo, da Secretaria Municipal de Educação, da Agência Municipal de Segurança, Transporte e Trânsito (Ageset), da Procuradoria Municipal e do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Araguaína (Impar). O documento também marca o fim do prazo para recursos contra o resultado preliminar, e foi disponibilizado no site do Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB), banca responsável pela organização do certame.
Em nota, o prefeito Wagner Rodrigues afirmou que o concurso "representa uma oportunidade importante para milhares de pessoas" e que a gestão está "seguindo todas as etapas previstas no edital, com transparência e respeito aos candidatos".
Próximas etapas
Segundo a prefeitura, os quatro editais seguem com prazos independentes. Depois do resultado definitivo das provas objetivas, os candidatos aprovados ainda passam por etapas específicas conforme o cargo: correção de redação para nível superior, peça jurídica para procuradores, prova de títulos, avaliação biopsicossocial e procedimento de heteroidentificação, teste psicográfico e Teste de Aptidão Física (TAF), este último exigido para o cargo de agente de trânsito da Ageset, com prova marcada para este domingo (20).
Os números do concurso
O certame teve 38.350 inscritos para 1.533 vagas, entre imediatas e cadastro reserva. Os cargos com mais vagas são assistente técnico administrativo (454), professor (507), técnico em enfermagem (83) e enfermeiro (97). Os salários variam conforme o cargo e a escolaridade, chegando a R$ 16.458,70 para procurador municipal. Há vagas também para arquitetura, engenharia, medicina, psicologia, assistência social, tecnologia da informação e fiscalização ambiental.
Relembre as polêmicas do concurso
O anúncio do resultado definitivo chega em meio a uma série de questionamentos que o RepórterTO vem documentando sobre este mesmo processo seletivo.
O Ministério Público do Tocantins abriu, em setembro, duas investigações distintas sobre o concurso. A primeira apura para onde foi o dinheiro arrecadado com as taxas de inscrição, depois de a Promotoria constatar que os valores cobrados dos candidatos ficaram acima do custo pago à banca por inscrição homologada, chegando a uma diferença de até R$ 51 por candidato nos cargos mais caros. A segunda apura relatos de candidatos com deficiência, entre eles pessoas com Transtorno do Espectro Autista, que teriam feito a prova em salas comuns mesmo após solicitar atendimento especializado previsto no edital.
Antes disso, candidatos já haviam relatado erros no sistema de consulta de local de prova, incluindo casos em que a plataforma chegou a indicar o Pará como estado de aplicação. A lista de inscritos só foi publicada quando o prazo de recurso contra erros cadastrais já estava em curso. A comissão organizadora do concurso foi trocada por portaria a poucos dias da aplicação das provas, sem detalhamento do motivo, e uma retificação de última hora eliminou o mecanismo que permitia ao candidato registrar e levar consigo suas próprias respostas ao fim da prova.
Uma banca com histórico de questionamentos em outros estados
O IDIB, banca contratada por Araguaína por R$ 4,9 milhões, acumula questionamentos de Ministérios Públicos e Tribunais de Contas em pelo menos seis estados nos últimos cinco anos: irregularidade na contratação reconhecida pelo Tribunal de Contas da Paraíba, em Bayeux; acordo que cancelou quatro concursos e prevê devolução de R$ 2,3 milhões a candidatos, na Bahia; pedidos de anulação de certames em Pernambuco e no Piauí; e suspensão judicial de concurso em Goiás, após operação do Ministério Público estadual.

