Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Policial

"Malu Navalha" é presa no Tocantins em investigação sobre grupo que movimentou R$ 10 milhões com agiotagem e extorsão

Maria Luiza da Silva Araújo Lopes, de 22 anos, foi localizada em Lagoa da Confusão; decisão judicial cita ameaças a vítima, movimentações financeiras e participação nas cobranças investigadas

Foto: Reprodução

Maria Luiza da Silva Araújo Lopes, de 22 anos, conhecida como "Malu Navalha", foi presa preventivamente neste domingo (13), em Lagoa da Confusão, durante um desdobramento da investigação que apura a atuação de um grupo suspeito de agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Distrito Federal, Goiás e Tocantins.

O mandado foi cumprido pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), da Polícia Civil do Tocantins.

A prisão está ligada à operação deflagrada na quinta-feira (11) pela Polícia Civil do Distrito Federal. Na ocasião, foram expedidas 47 ordens judiciais, entre 12 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 17 determinações de bloqueio de valores.

As demais prisões ocorreram na quinta-feira. Maria Luiza foi localizada neste domingo, no Tocantins.

Segundo a investigação, o grupo concedia empréstimos com juros de até 20% ao mês e, nos casos de inadimplência, realizava cobranças acompanhadas de ameaças.

A estimativa é que aproximadamente R$ 10 milhões tenham sido movimentados em oito meses.

Decisão cita ameaça a uma das vítimas

A decisão judicial que determinou a prisão de Maria Luiza reúne elementos que, segundo a investigação, a ligam diretamente às cobranças feitas pelo grupo.

Ela teria sido identificada em imagens do edifício onde morava uma das vítimas e também seria usuária de um terminal utilizado nas cobranças investigadas.

O documento registra ainda o relato de uma vítima que afirmou ter sido procurada por Maria Luiza depois da prisão temporária de outros investigados.

Conforme o relato apresentado à Justiça, ela teria ido até a residência da vítima para exigir uma cópia de depoimento e feito ameaças.

Na ocasião, Maria Luiza estaria acompanhada de um homem identificado como José Luiz, que, segundo a vítima, estaria armado.

As informações fazem parte da investigação e ainda serão submetidas à análise judicial ao longo do processo.

Movimentações financeiras também entraram na apuração

A investigação também identificou movimentações financeiras entre Maria Luiza e outros investigados.

Além dos registros bancários, a apuração reúne mensagens, áudios, imagens, planilhas, relatórios policiais e outros dados financeiros.

Esse conjunto de informações é utilizado para reconstruir a dinâmica das cobranças, identificar os beneficiários dos valores e verificar a eventual participação de outras pessoas no esquema.

A suspeita é de que contas de familiares e empresas também fossem utilizadas na movimentação dos recursos investigados.

Investigação começou após denúncia de comerciante

A apuração teve início depois que um comerciante da Feira dos Goianos, em Taguatinga, no Distrito Federal, procurou a polícia por causa de um empréstimo.

A partir dessa denúncia, os investigadores passaram a apurar a concessão de dinheiro, a cobrança das dívidas e a movimentação financeira atribuída ao grupo.

Segundo a investigação, quando as vítimas não conseguiam pagar os valores cobrados, passavam a sofrer ameaças.

Operação apreendeu armas, dinheiro e veículos

Durante a operação realizada na quinta-feira, foram apreendidos armas de fogo, munições, celulares, dinheiro, documentos, cheques e veículos.

Entre os presos está um sargento reformado da Polícia Militar de Goiás, apontado pela investigação como integrante do grupo.

Os investigados são apurados por extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que poderão ser identificados no decorrer da investigação.

Com a prisão de Maria Luiza em Lagoa da Confusão, ela fica à disposição da Justiça responsável pelo processo.