Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Por indício de fraudes, Ministério Público Eleitoral pode suspender pesquisas do Instituto Gauss

Por indício de fraudes, Ministério Público Eleitoral pode suspender pesquisas do Instituto Gauss
Por indício de fraudes, Ministério Público Eleitoral pode suspender pesquisas do Instituto Gauss

O MPE-TO (Ministério Público Eleitoral) do Tocantins pode suspender pesquisas divulgadas pelo Instituto Gauss no Estado. Protocolada nesta sexta-feira, 16, a denúncia feita pela Coligação Araguaína Pode Mais é de que a empresa autofinanciou mais de R$ 32 mil, cerca de 88% das pesquisas realizadas pelo instituto, e todas apresentaram resultados positivos para candidatos do partido União Brasil.

?A empresa denunciada já realizou, no período de pré-campanha e campanha eleitoral, mais de R$ 150 mil reais em pesquisas eleitorais, das quais 88,57% foram autofinanciadas. Ou seja, a própria empresa custeou a realização de 31 pesquisas, gerando sérias suspeitas sobre a imparcialidade dos resultados apresentados?, traz a denúncia que pede a abertura de inquérito civil público.

A coligação ainda aponta que, ao analisar os registros das pesquisas realizadas e divulgadas pela empresa no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), constata-se que todas apresentam resultados favoráveis a candidatos filiados ou coligados ao União Brasil, especialmente prefeitos com mandato ou candidatos à reeleição apoiados por esses prefeitos.

De onde vem o dinheiro
A denúncia questiona de onde vem os R$ 151 mil reais que a empresa se ?autofinancia? realizando diversas pesquisas custeando todos os trabalhos dos entrevistadores e arcando com todos os custos para aplicação dos questionários. Os fatos mostrados ainda apontam que a empresa vem realizando trabalhos desde março deste ano em sua maioria ?gratuitos?.

Outro fato denunciado é que quase todas as pesquisas da empresa são assinadas por um único estatístico, Galttieri Ferreira Tavares. ?Ao que parece, o mesmo é residente no Rio Grande do Norte. A reincidência do mesmo profissional em diferentes pesquisas levanta suspeitas sobre a metodologia aplicada e a credibilidade dos resultados?.

Indício de fraudes em Araguaína
A coligação trouxe como um dos exemplos de possível fraude a pesquisa registrada sob o número TO-02096/2024, realizada em Araguaína. O resultado, amplamente divulgado, apresentou uma vantagem significativa para candidatos coligados ao União Brasil.

De acordo com a Coligação Araguaína Pode Mais, ?as práticas ilícitas previstas na Lei n° 9.504/97 (Lei das Eleições), além de violarem os princípios constitucionais da isonomia e da transparência eleitoral, a conduta da empresa pode ser tipificada como abuso do poder econômico e manipulação de pesquisas eleitorais, em clara afronta ao processo democrático?.

Investigação
A coligação pede ao MPE-TO a imediata investigação dos fatos e dos responsáveis pela empresa, M. Vieira da Silva Barros ? Qualiquanti Gauss e dos envolvidos nas pesquisas eleitorais.

Outro pedido é que seja expedida recomendação ministerial para que a empresa proceda com a imediata suspensão das pesquisas eleitorais ainda não divulgadas pela empresa, especialmente aquelas previstas para serem veiculadas em Araguaína, até que se verifique a legalidade e a veracidade dos dados apresentados.

?A adoção de medidas urgentes para evitar o desequilíbrio do pleito eleitoral, considerando a gravidade das condutas denunciadas e o impacto que podem causar na eleição em curso?, finalizou o documento.