Quarta-feira, 8 de abril de 2026
Estado

Filhas são indiciadas por matar a própria mãe a facadas no sul do Tocantins; marido também é investigado

Caso foi encaminhado ao Ministério Público do Tocantins

Foto: Reprodução

Uma servidora pública e empresária de 55 anos foi morta a facadas, e o crime, segundo a Polícia Civil do Tocantins, foi planejado pela própria família. Deise Carmem de Oliveira Ribeiro desapareceu no dia 26 de dezembro de 2025, e seu corpo foi encontrado boiando no Rio Santa Tereza, na zona rural de Peixe, no primeiro dia de 2026.

As investigações apontam que ela foi levada a uma área rural próxima à Vila Quixaba, onde sofreu uma emboscada e foi morta com diversos golpes de faca. Depois, o corpo foi jogado no rio para ocultar o crime.

Indiciamento

Na última segunda-feira (6), a Polícia Civil indiciou as duas filhas de Deise, Déborah de Oliveira Ribeiro, de 31 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, por feminicídio e emboscada. Segundo o delegado responsável pelo caso, João Paulo Sousa Ribeiro, as filhas viam a mãe como um "obstáculo" para acessar os bens da família.

O marido da vítima, José Roberto Ribeiro, de 54 anos, foi indiciado por suprimir registros digitais relevantes após o crime. Os três foram presos em fevereiro, em Palmas e Palmeirópolis, e permanecem presos preventivamente.

A farsa para enganar a polícia

Para dificultar as investigações e criar a impressão de que Deise havia partido por vontade própria, as filhas utilizaram um celular comprado no nome da mãe para enviar mensagens falsas a parentes e à polícia após o crime. A perícia nesse aparelho é considerada peça fundamental para consolidar a autoria e a dinâmica do assassinato.

Quem era Deise Carmem

Natural de Porangatu, em Goiás, Deise morava em Palmeirópolis, no Tocantins. Era servidora pública e proprietária de uma fábrica de rodos. Descrita pelos familiares como alegre, generosa e de "riso solto", ela era a caçula de 12 irmãos e estava casada há 30 anos. Os parentes pediram que ela não seja lembrada apenas como uma estatística da violência.

Próximos passos

Com o encerramento do inquérito pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Tocantins, que analisará as provas para decidir se apresentará denúncia criminal à Justiça.


Nota da defesa

A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026.

A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial.

É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado.

A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados.

A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos.

A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência.