Sábado, 10 de janeiro de 2026
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PF investiga chácara em Paranã registrada em nome de terceiro e com indícios de uso por Wanderlei Barbosa

PF investiga chácara em Paranã registrada em nome de terceiro e com indícios de uso por Wanderlei Barbosa
PF investiga chácara em Paranã registrada em nome de terceiro e com indícios de uso por Wanderlei Barbosa

PARANÃ ? Um relatório da Polícia Federal (PF), inserido nos autos da Operação Nêmesis, descreve uma chácara situada no povoado Campo Alegre, zona rural de Paranã (TO), como um dos imóveis que teriam sido utilizados pelo governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) e pela primeira-dama Karynne Sotero. A propriedade está registrada em nome de Mauro Henrique da Silva Xavier Rodrigues, identificado pelos investigadores como pessoa próxima ao casal. Mauro também é alvo da operação.

Embora não tenha sido alvo da fase mais recente da operação, deflagrada nesta quarta-feira (12) para apurar tentativas de obstrução das investigações, o imóvel continua sob atenção da PF por conta de indícios de ocultação de patrimônio e uso de terceiros na nomeação de bens. Durante uma visita ao local em setembro, no âmbito da Operação Fames-19, agentes federais encontraram elementos que, segundo o relatório, sugerem o uso direto da residência pelo casal.

No interior da casa, foram localizadas fotografias pessoais, roupas e um quadro de grande porte com a imagem de Wanderlei e Karynne exposto na sala principal. O caseiro da propriedade, Adeilson Neres de Farias, afirmou trabalhar para ?Mauro?, mas teria apresentado ?inconsistências significativas? ao descrever sua relação com o proprietário legal do imóvel, conforme aponta o documento da PF. Segundo depoimentos colhidos pela investigação, a construção seria recente, erguida após a suposta compra do terreno em 2024.

Região em Disputa no STF
A chácara está situada no povoado Campo Alegre, em uma área que se encontra no centro de uma disputa territorial entre Tocantins e Goiás, objeto de uma Ação Cível Originária (ACO) impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) na última semana. O governo goiano alega que o Tocantins teria avançado sobre aproximadamente 12,9 mil hectares ao norte de Cavalcante (GO), área que engloba parte do Quilombo Kalunga dos Morros e do Complexo do Canjica, regiões de interesse ambiental e turístico.

A disputa se intensificou em janeiro, quando o Tocantins instalou um portal turístico na região, levando Goiás a acionar o STF para exigir a remoção da estrutura. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a indefinição sobre os limites fundiários na fronteira dificulta a rastreabilidade de propriedades e o controle de registros imobiliários, o que pode impactar diretamente o mapeamento patrimonial de agentes públicos investigados.

Em nota divulgada na semana passada, o Governo do Tocantins informou que ainda não foi citado oficialmente na ação que tramita no STF, mas determinou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a órgãos técnicos a realização de um levantamento geográfico detalhado da região para subsidiar sua defesa. Na ocasião, o governador afastado não quis comentar o caso.