Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Policial

Operação da Polícia Civil mira influenciadora suspeita de divulgar "jogo do tigrinho" e lavar dinheiro no Tocantins

Investigação apura movimentação milionária, compra de imóvel em espécie e uso de terceiros para ocultar valores

Foto: Hiago Muniz/Governo do Tocantins

 

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 26, a Operação Sorte Falseada para apurar suspeitas de divulgação de jogos de azar on-line e lavagem de dinheiro envolvendo uma influenciadora digital.

A investigada foi identificada pelas iniciais E.M. Segundo a Polícia Civil, ela é suspeita de usar as redes sociais para promover plataformas ilegais de apostas conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho”, com promessa de prêmios e ganhos financeiros aos seguidores.

A operação foi conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado, a 1ª DEIC de Palmas, com apoio da 7ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Gurupi.

As investigações começaram em março de 2024, após denúncias anônimas sobre a divulgação dos jogos em perfil de rede social. Durante a apuração, os policiais identificaram publicações que, segundo a investigação, incentivavam apostas on-line.

A Polícia Civil também apontou a existência de vídeos em que a influenciadora teria feito ameaças a pessoas que demonstravam intenção de denunciar as plataformas aos órgãos competentes.

Além da divulgação dos jogos, a investigação passou a mirar a movimentação financeira ligada à suspeita.

De acordo com a Polícia Civil, foram identificados indícios de fracionamento de saques em espécie em valores abaixo de R$ 50 mil, pulverização de ativos e uso de terceiros, empresas de fachada e contas de passagem para movimentar dinheiro e dificultar o rastreamento dos valores.

As contas vinculadas à investigada teriam registrado movimentação milionária em um período de um ano, valor considerado incompatível com a renda formal declarada, segundo a apuração.

No mesmo período, a Polícia Civil identificou a compra de um imóvel em Palmas avaliado em cerca de R$ 300 mil. O pagamento teria sido feito em espécie.

A Justiça autorizou medidas cautelares como sequestro de bens, bloqueio de veículo, buscas em imóveis ligados à investigada e extração de dados telemáticos dos dispositivos apreendidos.

Entre os bens alcançados pelas medidas estão um apartamento em Palmas, avaliado em aproximadamente R$ 300 mil, uma caminhonete Toyota Hilux 2024 e uma motocicleta elétrica.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam cerca de R$ 8 mil em dinheiro, nove notas de dólar, cartões bancários e objetos pessoais relacionados à investigada.

A Polícia Civil também pediu a suspensão do perfil usado para divulgação das plataformas de apostas, com preservação do conteúdo publicado.

Segundo o delegado-chefe da 1ª DEIC, Wanderson Chaves de Queiroz, os elementos reunidos indicam possível ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

“O modus operandi identificado ao longo das investigações aponta para a possível utilização de terceiros, pulverização patrimonial e movimentações incompatíveis com a renda declarada, medidas que, em tese, teriam sido empregadas para dificultar o rastreamento da origem dos valores investigados”, afirmou.

O delegado-regional Joadelson Rodrigues Albuquerque, titular da 7ª Delegacia Regional de Gurupi, destacou que a atuação integrada entre unidades especializadas e regionais foi fundamental para o cumprimento das medidas judiciais.

O nome da operação faz referência à falsa promessa de ganhos fáceis associada às plataformas investigadas. Segundo a Polícia Civil, a expressão “Sorte Falseada” também remete à suposta construção de uma imagem artificial de prosperidade para atrair usuários aos jogos de azar.

As investigações continuam para analisar os materiais apreendidos, rastrear a origem dos valores e identificar eventuais outros envolvidos no esquema.

.