
A morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas, ganhou repercussão nacional e provocou uma manifestação pública de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, assassinada em 2008.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Ana Carolina afirmou que o caso reúne sinais de alerta que precisam ser analisados pelas autoridades e debatidos pela sociedade. Ela mencionou as imagens em que Gustavo aparece chorando e dizendo que não queria ir para a casa do pai porque era agredido.
“Essa mãe grava um vídeo de um menino pequenininho chorando, implorando para não ir e afirmando que o pai batia nele”, declarou.
Crítica à Lei de Alienação Parental
Ana Carolina também criticou a aplicação da Lei de Alienação Parental. Para ela, mães podem deixar de denunciar situações de violência por medo de serem acusadas de impedir a convivência dos filhos com o outro responsável.
“Essa mãe teve que mandar o filho para não entrar na Lei de Alienação Parental. Para que essa lei serve? Só para favorecer abusadores e agressores. Essa história prova exatamente isso”, afirmou.
A defesa de Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo, já havia informado que a convivência da criança com o pai era regulamentada pela Justiça. Segundo a advogada Stella Bueno, impedir as visitas poderia ser interpretado como alienação parental e até resultar em consequências relacionadas à guarda.
A defesa também afirmou que Sabrina havia relatado situações em que o filho retornava machucado, mas o medo provocado por ameaças teria dificultado a adoção de medidas mais severas naquele momento.
Repercussão nacional
Ao comentar o caso, Ana Carolina afirmou que a morte de Gustavo causou comoção e destacou o sofrimento que poderá acompanhar a mãe da criança.
“Quem deveria proteger foi quem tirou a vida dessa criança. Punição é pouco para o que ele deve pagar. A culpa que essa mulher vai carregar por anos e anos da vida dela é de cortar o coração. Todo mundo se comoveu com essa história. Não tem quem não fale sobre esse menininho”, disse.
A declaração de Ana Carolina expressa sua avaliação pessoal sobre o caso. A responsabilidade criminal ainda será apurada pela Polícia Civil e analisada pela Justiça.
Pai e madrasta estão presos
Igor Gustavo Veloso de Souza, pai de Gustavo, e Kathellen Moreira, madrasta da criança, foram presos preventivamente nesta quinta-feira (6), em Palmas.
Os dois são investigados pela morte do menino. A prisão preventiva não representa condenação.
O caso começou a ser investigado depois que Igor procurou a polícia e informou que o filho teria morrido após um suposto afogamento na piscina da residência.
O exame realizado pelo Instituto Médico Legal, entretanto, não encontrou sinais de afogamento. O laudo apontou que Gustavo morreu em decorrência de hemorragias interna e externa, além de registrar múltiplas lesões. A investigação também apura indícios de violência sexual.
O caso permanece sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Palmas.

