Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Araguaína

Homem que deixou motorista tetraplégico após atirar nele na frente dos filhos é condenado a 14 anos em Araguaína

Rogério da Luz Santos foi julgado pelo Tribunal do Júri na última quinta-feira (24) e deve cumprir a pena em regime fechado

Rone foi socorrido pelo SAMU
Rone foi socorrido pelo SAMU Foto: RepórterTO

Rogério da Luz Santos, de 35 anos, foi condenado a 14 anos e sete meses de prisão por tentativa de homicídio contra o motorista Rone Nunes de Sousa, baleado na frente dos dois filhos em março de 2025, no Setor Itaipu, em Araguaína. O ataque deixou a vítima com tetraplegia permanente. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal, presidido pelo juiz Carlos Roberto de Sousa Dutra, e a pena deve ser cumprida em regime fechado. Cabe recurso.

Como aconteceu o crime

Segundo informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), Rone dirigia o carro com os filhos, na Avenida Blumenau, quando foi abordado por Rogério, que estava em uma motocicleta e pediu que ele parasse. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Tocantins (MPTO), o motorista seguia para casa e, após uma breve conversa, Rogério efetuou os disparos. Mesmo ferido, Rone conseguiu arrancar com o carro, mas bateu contra uma calçada poucos metros depois. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Regional de Araguaína. A sequência do ataque foi registrada por câmeras de segurança.

As qualificadoras reconhecidas pelo júri

Os jurados reconheceram duas qualificadoras na tentativa de homicídio: o emprego de meio que resultou em perigo comum e o uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Na acusação, a 4ª Promotoria de Justiça de Araguaína sustentou que os disparos em via pública colocaram outras pessoas em risco, incluindo os filhos do motorista, e que a rapidez e o caráter inesperado do ataque impediram qualquer reação de Rone.

Conforme a sentença, a definição da pena levou em conta a presença dos filhos durante o crime, as sequelas permanentes sofridas pela vítima e a reincidência do réu. A decisão também fixou indenização de R$ 5 mil por danos morais aos familiares e determinou a execução imediata da pena.

Motivação e prisão do acusado

Na fase de investigação, conduzida pela 2ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a Polícia Civil apontou ciúmes como possível motivação: segundo a apuração, Rogério acreditava que sua ex-companheira mantinha um relacionamento com o motorista.

Procurado desde junho de 2025, Rogério se apresentou espontaneamente à DHPP em 29 de janeiro de 2026, quando teve cumprido o mandado de prisão preventiva. Após a apresentação, foi encaminhado à Unidade Prisional de Araguaína, onde já estava preso quando foi levado a julgamento.