Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Estado

Investigação do MP avalia atuação de empresas citadas na Fames-19 em hospitais do Tocantins

Procedimento preliminar investiga possível atuação de empresas citadas em esquema da pandemia em hospitais públicos do Estado

Foto: Ronaldo Mitt/MP

O Ministério Público do Tocantins instaurou procedimento preparatório para apurar possível vínculo entre empresas fornecedoras de alimentação hospitalar e fatos investigados na Operação Fames-19. A portaria foi publicada no Diário Oficial do órgão nesta segunda-feira, 23.

A medida abre uma investigação preliminar para verificar se empresas mencionadas nas apurações sobre contratos firmados durante a pandemia da Covid-19 também mantêm ou mantiveram contratos com a Secretaria Estadual da Saúde para fornecimento de alimentos a hospitais públicos.

Segundo o documento, a iniciativa leva em conta informações divulgadas pela imprensa sobre possíveis irregularidades em contratações relacionadas ao fornecimento de cestas básicas e gêneros alimentícios. A suspeita é de que parte dessas empresas possa estar envolvida em contratos sem a devida entrega dos produtos.

A portaria determina a comunicação ao Conselho Superior do Ministério Público e o encaminhamento do caso ao Centro de Apoio Operacional do Patrimônio Público para análise técnica. Caso não haja manifestação no prazo de 60 dias, novas diligências deverão ser solicitadas.

Em nota a imprensa, a Sesau informou que “não possui qualquer vínculo com a operação Fames-19, não foi sequer citada na referida apuração e tampouco recebe serviços das empresas investigadas”.

Entenda a Operação Fames-19

A Operação Fames-19 é conduzida pela Polícia Federal e investiga suspeitas de desvio de recursos públicos destinados à compra e distribuição de cestas básicas durante a pandemia no Tocantins.

As apurações federais miram contratos firmados no período emergencial da Covid-19, com indícios de irregularidades em processos de contratação e no cumprimento das entregas.

A operação resultou no afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) por 92 dias por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Wanderlei retornou ao cargo em dezembro de 2025, após decisão da 2ª turma do STF.

Com a abertura do procedimento pelo Ministério Público estadual, a investigação passa a avaliar se há desdobramentos do caso em contratos atuais relacionados à alimentação hospitalar.

O procedimento instaurado tem caráter preliminar e busca reunir elementos que possam confirmar ou afastar eventuais irregularidades. Até o momento, não há decisão judicial vinculada a essa nova apuração.