
A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, alvo da segunda fase da Operação Falsa Emergência, se apresentou à Justiça na manhã desta segunda-feira, 15, em Palmas. Considerada foragida desde a semana passada, ela era a única investigada com mandado de prisão preventiva ainda não cumprido na nova etapa da investigação que apura supostas irregularidades na terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.
Acompanhada por advogado, Cláudia compareceu ao Fórum de Palmas, onde passou pelos procedimentos judiciais iniciais antes do cumprimento formal da ordem de prisão expedida pela Justiça.
Após a audiência de apresentação e custódia, ela foi entregue à Polícia Civil para execução do mandado e, posteriormente, encaminhada aos procedimentos legais de praxe. A empresária permanecerá recolhida no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, onde também estão custodiados outros investigados presos na operação.
A prisão de Cláudia foi decretada no mesmo procedimento que resultou nas detenções da então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, que continuam presos.
Segundo os investigadores, a empresária teria exercido papel relevante nas tratativas relacionadas ao contrato de R$ 139 milhões firmado para a gestão das UPAs Norte e Sul de Palmas. O Ministério Público a aponta como uma das principais operadoras do esquema investigado.
Um dos elementos citados no pedido de prisão envolve a locação de um veículo de luxo que, segundo a investigação, teria sido utilizado pelo então superintendente da Saúde durante o período em que o processo de contratação estava sendo conduzido.
Os investigadores sustentam que a proximidade entre os dois vai além da relação institucional e apontam movimentações, encontros e viagens que agora fazem parte do conjunto de provas analisado pelas autoridades.
A prisão preventiva foi fundamentada, entre outros fatores, no risco de interferência na produção de provas, na gravidade dos fatos investigados e na continuidade dos efeitos do contrato, que segue gerando movimentação de recursos públicos.
Outro aspecto que pesa contra a empresária é a existência de investigações anteriores relacionadas à área da saúde pública. Cláudia já responde a processos envolvendo suspeitas de irregularidades em contratos firmados durante a pandemia da Covid-19, incluindo uma ação que apura suposto desvio de recursos destinados à aquisição de testes rápidos.
Enquanto a investigação avança, a Prefeitura de Palmas mantém uma nova gestão interina na Secretaria Municipal de Saúde e aguarda acesso integral aos autos para se manifestar oficialmente sobre os fatos apurados.
A Operação Falsa Emergência segue em andamento e busca esclarecer se houve direcionamento, favorecimento e outras irregularidades na contratação da entidade responsável pela administração das UPAs da capital.

