
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira, 8, a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi adotada de forma preventiva após o registro de 42 episódios de reações adversas consideradas mais severas em pessoas imunizadas durante projetos-piloto realizados no país.
A medida afeta diretamente o Tocantins, onde a vacina vinha sendo aplicada desde fevereiro deste ano em municípios da região do Médio Norte Araguaia. A suspensão permanecerá em vigor até a conclusão das investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo próprio Instituto Butantan.
Investigação envolve 42 casos
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa em Brasília.
Segundo o ministério, aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando foram identificados os primeiros sinais de alerta nos sistemas de monitoramento pós-vacinação.
Entre os 42 episódios analisados, três foram classificados como graves. Dois deles envolvem óbitos que seguem sob investigação das autoridades sanitárias.
Apesar disso, o Ministério da Saúde destacou que, até o momento, não existem evidências que permitam associar diretamente as mortes ou os demais casos graves à vacina.
"Não há informações suficientes para afirmar que esses óbitos tenham sido provocados pela vacina. Também não existem dados conclusivos para relacionar diretamente o imunizante aos demais casos graves. O que existe é um sinal de alerta que exige investigação aprofundada", afirmou o ministro.
Araguaína e região estão entre as áreas atingidas
No Tocantins, a suspensão impacta a estratégia de vacinação que vinha sendo desenvolvida em 17 municípios da região do Médio Norte Araguaia.
Além de Araguaína, a lista inclui Aragominas, Araguanã, Babaçulândia, Barra do Ouro, Campos Lindos, Carmolândia, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Muricilândia, Nova Olinda, Pau D?Arco, Piraquê, Santa Fé do Araguaia, Wanderlândia e Xambioá.
A vacinação começou em fevereiro para profissionais da atenção primária à saúde e foi ampliada em abril para pessoas com idade entre 15 e 59 anos.
Com a decisão do Ministério da Saúde, estados e municípios foram orientados a interromper imediatamente a aplicação das doses até nova avaliação técnica.
Doses não serão descartadas
O governo federal informou que os imunizantes já distribuídos permanecerão armazenados nas redes de frio dos estados e municípios.
Segundo o ministério, a suspensão tem caráter temporário e não há recomendação para descarte das vacinas.
"Não é o momento de descartar vacinas. É uma interrupção preventiva para que possamos aprofundar as investigações", declarou Alexandre Padilha.
Vacina do SUS continua normalmente
O Ministério da Saúde também esclareceu que a medida não afeta a vacina contra a dengue atualmente aplicada pelo Sistema Único de Saúde em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), esse imunizante não possui relação com a investigação anunciada nesta segunda-feira e segue sendo ofertado normalmente.
A orientação é que pais e responsáveis mantenham o calendário vacinal em dia.
Quem já recebeu a vacina não precisa tomar nenhuma medida
Segundo o Ministério da Saúde, não há recomendação especial para quem já recebeu a vacina do Butantan.
Os estudos realizados até agora continuam apontando proteção contra os quatro sorotipos da dengue.
A pasta informou apenas que pessoas imunizadas recentemente serão acompanhadas com maior atenção para auxiliar na coleta de dados que subsidiarão as investigações.
Análises continuam
A suspensão foi aprovada pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância e apresentada ao Comitê Técnico Assessor em Imunizações.
As equipes técnicas irão analisar detalhadamente os episódios registrados, buscando identificar possíveis fatores em comum entre os pacientes, além de verificar aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.
Segundo o Ministério da Saúde, a decisão segue protocolos internacionais de segurança adotados em programas de imunização e tem como objetivo garantir a proteção da população enquanto todas as hipóteses são investigadas.


