Segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Estado

Projeto de R$ 9,3 milhões vai mapear 500 fazendas e fortalecer cadeia do coco de babaçu no Tocantins

Iniciativa selecionada pela Finep usará inteligência artificial para identificar áreas com palmeiras e pretende ampliar em 25% o volume de matéria-prima obtido pela Tobasa

Foto: Divulgação

A cadeia produtiva do coco de babaçu no Tocantins será alvo de um projeto de inovação que prevê o mapeamento de 500 propriedades rurais do Estado , o uso de inteligência artificial e a modernização de processos industriais. A iniciativa de apresentação pela Tobasa foi selecionada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao governo federal.

O projeto tem valor total informado de R$ 9,3 milhões . Conforme os dados divulgados, R$ 6,5 milhões serão destinados pela Finep e R$ 2,1 milhões serão destinados à contrapartida da empresa. Os recursos de subvenção não precisarão ser devolvidos ao fundo.

Um dos principais fabricantes de carvão ativado do país, a Tobasa utiliza o coco de babaçu como matéria-prima. A expectativa da companhia é que o investimento fortaleça a atividade extrativista no Tocantins e aumente em 25% o volume de frutos obtidos para processamento.

Inteligência artificial será usada em fazendas do Tocantins

Uma das principais frentes do projeto será desenvolvida diretamente em propriedades rurais tocantinenses. Com o apoio da Embrapa Acre, a empresa pretende mapear 500 fazendas para identificar a presença e a densidade das palmeiras de babaçu.

O levantamento será realizado com ferramentas de inteligência artificial. A proposta é conhecer com maiores resultados o potencial produtivo das áreas e orientar ações para melhorar o aproveitamento dos babaçuais existentes no Estado.

Segundo o diretor-presidente da Tobasa, Edmond Aziz Baruque Filho, cerca de 80% do babaçu obtido por meio do extrativismo utilizado pela companhia vem de propriedades rurais.

As palmeiras são encontradas principalmente em fazendas destinadas à pecuária, onde permanecem retidas entre as áreas de pastagem. Os frutos são coletados por extrativistas e comercializados por intermediários até chegarem à indústria.

“Esse projeto integra a ciência e tecnologia com inteligência artificial e o conhecimento da indústria para gerar inovação, aumentar a produtividade e fortalecer a cadeia”, afirmou Baruque.

Empresa processa cerca de 50 mil toneladas por ano

A segunda frente do projeto será técnicas de atividade industrial. A Tobasa pretende aprimorar os processos utilizados na transformação do babaçu, aumentar a produção de carvão ativado e agregar valor aos resíduos gerados durante o beneficiamento do fruto.

Atualmente, a empresa processa aproximadamente 80 mil metros cúbicos de coco de babaçu por ano , volume equivalente a cerca de 50 mil toneladas .

A expectativa é produzir uma quantidade maior de motor ativado sem que seja necessário aumentar, na mesma proporção, o consumo de matéria-prima.

“Dentro do modelo tecnológico que estamos propondo, vamos conseguir produzir mais carbono ativado com a mesma quantidade de coco de babaçu”, declarou o empresário.

Valorização econômica dos babaçuais

Para a empresa, o fortalecimento da cadeia produtiva também pode contribuir para a preservação das palmeiras existentes nas propriedades rurais do Tocantins.

Baruque argumenta que a geração de renda por meio do aproveitamento do fruto pode reduzir a retirada dos babaçuais e estimular os produtores a manterem as palmeiras nas fazendas.

"Acreditamos que o desenvolvimento econômico mantém a floresta em pé. Se você não agregar valor econômico ao fruto, não tem como manter esse patrimônio vegetal", afirmou.

Com o mapeamento das propriedades, a ampliação da oferta de matéria-prima e a modernização industrial, o projeto pretende fortalecer uma atividade que envolve extrativistas, intermediários, produtores rurais e a indústria instalada na cadeia do babaçu.

Com informações do Globo Rural