Quarta-feira, 15 de julho de 2026
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Natural de Xambioá, ex-sargento da FAB flagrado com 37 kg de cocaína em avião da comitiva de Bolsonaro é condenado pela Justiça Militar

Manoel Silva Rodrigues foi condenado a 3 anos por associação para o tráfico. Ele já cumpria pena de 17 anos por tráfico internacional. Droga valia cerca de R$ 6 milhões.

Foto: Divulgação/Montagem

A Justiça Militar condenou o ex-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, natural de Xambioá, no norte do Tocantins, a três anos de prisão por associação para o tráfico de drogas. A nova condenação se soma à pena de 17 anos que ele já cumpria por tráfico internacional de drogas, imposta em julgamento anterior pelo mesmo caso. Rodrigues foi flagrado em junho de 2019 transportando 37 quilos de cocaína dentro de um avião da FAB em Sevilha, na Espanha, durante missão de apoio à comitiva do então presidente Jair Bolsonaro.

Grupo usava missões oficiais para exportar drogas

Além de Rodrigues, a Justiça Militar condenou o empresário Marcos Daniel Gama, apontado como dono da droga, mentor intelectual e financiador do esquema, a 22 anos de prisão. O segundo-sargento da Aeronáutica Jorge Luiz da Cruz Silva recebeu pena de 19 anos de reclusão. Segundo a sentença, o grupo se aproveitava da facilidade de circulação aduaneira concedida a comitivas de autoridades públicas brasileiras em território estrangeiro para tentar burlar os mecanismos de fiscalização. A decisão descreve a atuação como um "projeto de tráfico internacional sofisticado e de grande escala".

"Não atuava como uma simples mula"

Na sentença, o juiz Frederico Magno de Melo Veras destacou que Rodrigues teve participação ativa nas tratativas do esquema e desempenhou papel relevante na logística. "O ex-2S não atuava como uma simples mula. À época dos fatos, era graduado da FAB, com anos de serviço prestado, desfrutando da confiança institucional necessária para integrar escalas de missões internacionais de relevância", registrou o magistrado. A sentença destaca ainda que Rodrigues conhecia os protocolos das missões oficiais e sabia que sua bagagem dificilmente seria submetida a revista.

Droga avaliada em R$ 6 milhões

A cocaína apreendida tinha valor estimado em 1,3 milhão de euros, equivalente a cerca de R$ 6 milhões na cotação de 2019. Segundo as provas colhidas pelo Ministério Público Militar, Rodrigues e a esposa enfrentavam dificuldades financeiras até o início daquele ano, e o padrão de vida do casal teria mudado após a inserção do ex-militar no grupo criminoso. A investigação também apontou que o transporte de drogas já havia sido negociado em março e abril de 2019, mas não chegou a ser concluído nessas ocasiões.

Absolvição pela lavagem de dinheiro

O Ministério Público Militar também havia denunciado Rodrigues e a esposa por lavagem de dinheiro, sustentando que valores obtidos com o tráfico teriam sido usados na compra de uma motocicleta, móveis planejados e depósitos em conta. A Justiça Militar, porém, absolveu o casal dessa imputação por entender que as condutas não ficaram comprovadas como lavagem de dinheiro.

Tocantinense cumpre pena na Espanha

Manoel Silva Rodrigues nasceu em Xambioá, onde passou a infância, e mudou-se para Brasília para seguir carreira na FAB, onde atuava como comissário de bordo em voos militares. Em 2022, foi excluído da corporação. Atualmente cumpre pena de seis anos na Espanha, em regime equivalente à liberdade condicional. O país europeu avalia pedido de extradição para que ele retorne ao Brasil e cumpra a pena de 17 anos imposta anteriormente