
O Ministério Público do Tocantins instaurou inquérito civil público para apurar possível negligência na morte de um recém-nascido no Hospital e Maternidade Dom Orione, em Araguaína.
A investigação foi aberta pela 5ª Promotoria de Justiça com base em denúncia da mãe da criança, que relatou falhas no atendimento desde o início do trabalho de parto até os cuidados prestados após o nascimento.
Segundo o procedimento, o óbito foi declarado às 6h15 do dia 4 de março de 2025.
Relato da família
De acordo com a mãe, os problemas começaram ainda no dia 26 de fevereiro, quando ela passou a sentir contrações e procurou atendimento, mas teria sido liberada em mais de uma ocasião antes de conseguir a internação.
O parto foi inicialmente conduzido de forma normal, com uso de medicação para indução, mas evoluiu para uma cesariana de urgência após suspeita de complicações.
O bebê nasceu às 1h59 do dia 1º de março, foi diagnosticado com pneumonia e transferido para uma unidade neonatal. Três dias depois, a família foi informada da morte por parada cardíaca.
Pontos investigados
O Ministério Público apura duas possíveis falhas na assistência.
Uma delas é a ausência de exame de ultrassom durante o trabalho de parto. A mãe afirma que solicitou o procedimento, mas o pedido não teria sido atendido.
Outro ponto envolve a assistência no berçário. Há questionamentos sobre a falta de registros de acompanhamento entre a madrugada do dia 4 de março, período em que o recém-nascido teria ficado sem monitoramento contínuo antes da piora no quadro.
Diligências
Entre as medidas já adotadas estão a coleta de depoimento da mãe, a requisição do prontuário médico completo e a análise de exames e documentos relacionados ao atendimento.
O Ministério Público também solicitou informações ao Conselho Regional de Medicina do Tocantins sobre eventual investigação administrativa do caso.
O procedimento foi iniciado como notícia de fato em abril de 2025, evoluiu para procedimento preparatório em agosto e agora foi convertido em inquérito civil público.
Acompanhamento
O Ministério Público informou que o caso segue em apuração e não há prazo definido para conclusão.
A reportagem procurou a assessoria do Hospital Dom Orione, mas não houve resposta oficial até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

