Segunda-feira, 25 de maio de 2026
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Justiça decreta falência do LKJ Frigorífico em Araguaína após dívidas, salários atrasados e queda de 62% na produção

Credores aprovaram a quebra por ampla maioria; bens, contas e veículos da empresa foram bloqueados e sócios ficam impedidos de exercer atividade empresarial

O LKJ Frigorífico, instalado em Araguaína, teve a falência decretada pela Justiça. A sentença foi assinada no dia 21 de maio pelo juiz Herisberto e Silva Furtado Caldas, da Vara de Recuperação Judicial de Empresas de Araguaína, após a Assembleia Geral de Credores aprovar a conversão da recuperação judicial em falência. Os responsáveis pelo frigorífico ainda não informaram se vão recorrer da decisão.
 

Credores votaram pela falência

A falência foi aprovada pelos próprios credores da empresa. Na assembleia, 73,83% dos créditos votaram favoravelmente à decretação da quebra. Apenas 26,17% foram contrários. Ao homologar o resultado, o magistrado ressaltou que a assembleia tem soberania para decidir o destino da empresa, cabendo ao Judiciário apenas verificar a legalidade do procedimento.
 

Irregularidades identificadas no processo

Durante o processo de recuperação judicial, a instrução processual revelou um quadro de irregularidades. Segundo a decisão, houve ocultação de dados e omissão deliberada de informações financeiras que impediram o conhecimento real da situação econômica da empresa.

Entre os pontos mais sérios está o registro de uma despesa de aproximadamente R$ 6,7 milhões atribuída a furtos que não foram comprovados documentalmente. A decisão também aponta movimentações financeiras suspeitas envolvendo valores milionários ligados à irmã de um dos sócios. Diante da gravidade dos fatos, foi instaurado um Incidente de Investigação de Fraude no processo.
 

Funcionários protestavam por salários na porta da fábrica

A crise financeira da empresa também teve face humana. O juiz registrou na sentença que funcionários realizavam protestos na porta do frigorífico cobrando salários e décimo terceiro atrasados.
"Há nos autos a informação de que funcionários protestam na porta do frigorífico, cobrando legitimamente o pagamento de salários e do décimo terceiro salário atrasados, evidenciando o completo esfacelamento da função social da empresa", afirmou o magistrado.

Produção despencou mais de 60%

Os números operacionais do frigorífico também pesaram na decisão. Entre outubro e novembro de 2025, o volume de abates caiu de 8.752 para 3.271 cabeças de gado, uma retração de 62,6%. A utilização da capacidade produtiva despencou de 45% para apenas 21,6% no mesmo período.
 

Bens bloqueados e sócios impedidos de atuar

Com a decretação da falência, a empresa perdeu imediatamente o direito de administrar ou dispor dos próprios bens. Ativos financeiros foram bloqueados via sistema SISBAJUD pelo prazo de 90 dias, com transferência dos valores encontrados para conta judicial. Veículos da empresa foram bloqueados pelo RENAJUD e imóveis tiveram sua transferência suspensa.
Os sócios e administradores ficam inabilitados para exercer qualquer atividade empresarial até a extinção das obrigações previstas na legislação falimentar. A empresa Valor Administração Judicial, representada pelo advogado Dobson Vicentini Lemes, foi mantida como administradora judicial da massa falida.

A partir de agora, passará a constar oficialmente nos registros da expressão "Falido".