
Um homem que trabalhava como gerente de uma grande fazenda no Tocantins foi preso preventivamente nesta terça-feira (7) suspeito de desviar cerca de R$ 10 milhões do proprietário rural ao longo de quatro anos. A operação foi deflagrada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado, a DEIC, de Paraíso do Tocantins, com apoio de outras unidades da Polícia Civil do Tocantins e da Polícia Civil do Mato Grosso.
Segundo as investigações, o suspeito se aproveitava do cargo de confiança para superfaturar serviços prestados por terceiros à fazenda. A diferença entre os valores reais e os cobrados era desviada para contas próprias e de terceiros. Paralelamente, ele atuava como agiota, emprestando dinheiro informalmente com juros abusivos.
Os números da investigação impressionam. Entre 2023 e 2024, o patrimônio do suspeito saltou de aproximadamente R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão, sem qualquer justificativa financeira. Ele também aplicou mais de R$ 2,5 milhões em fundos de investimento, valor descoberto após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça. Nas pesquisas do celular do investigado, os policiais encontraram buscas sobre como gerar renda mensal de R$ 20 mil e sobre processos contra funcionários acusados de superfaturamento.
A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de Miranorte e Lajeado, no Tocantins, e em Novo São Joaquim, no Mato Grosso. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e da esposa, além de R$ 1,6 milhão em contas de uma empresa ligada ao esquema. Durante as buscas, duas pistolas foram apreendidas.
As investigações tiveram início há seis meses, após os proprietários da fazenda perceberem inconsistências financeiras e acionarem a DEIC. Os crimes teriam ocorrido entre 2021 e 2025.
O delegado Antônio Onofre Oliveira da Silva Filho destacou a complexidade do caso. "Trata-se de uma investigação minuciosa, que identificou um esquema estruturado de desvio de recursos ao longo de vários anos, com utilização de empresas prestadoras de serviço e movimentações financeiras incompatíveis com a renda do investigado", afirmou.
O suspeito poderá responder por furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro, agiotagem, falsidade ideológica, estelionato, constrangimento ilegal e extorsão.

