
O filho de um paciente com câncer internado no Hospital Regional de Araguaína (HRA) denunciou a presença de larvas na região da traqueostomia do pai e fez um apelo por atendimento médico urgente. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) confirmou que o homem apresenta miíase, uma infestação provocada por larvas, mas afirmou que ele já chegou ao hospital com o quadro.
Em um vídeo gravado na noite de quarta-feira (15), Gilson José relatou que levou o pai ao HRA depois que ele começou a apresentar secreção na traqueostomia. Segundo o familiar, o paciente está na fase final do tratamento contra o câncer e já concluiu as sessões de quimioterapia e radioterapia.
Gilson afirmou que, durante a coleta de material solicitada para exames, profissionais identificaram pequenas larvas na região da traqueostomia. Diante da situação, o paciente foi internado.
“Quando foi coletar o material, foi identificado que tinha larvas pequenas. Aí teve que internar. Fiquei no internamento com ele a noite toda, cuidando dele, trocando as gazes e os panos”, relatou.
Filho cobra intervenção urgente
Conforme o familiar, uma tomografia computadorizada foi solicitada na manhã seguinte. Gilson disse que, enquanto acompanhava o pai durante o exame, um médico teria ido ao quarto e não encontrado os dois.
O filho afirmou que encontrou o profissional posteriormente no corredor e pediu que ele avaliasse a situação do paciente. Segundo Gilson, até cerca de 20 minutos antes da gravação do vídeo, nenhuma intervenção definitiva havia sido realizada.
Ele relatou que uma profissional de enfermagem tentava retirar as larvas, mas afirmou que ainda havia vários organismos na região do pescoço e no acesso da traqueostomia.
“Meu pai está com o pescoço cheio de bichos. Tem bicho no meu pai, no corpo dele. Está dentro do corpo dele e ele está com o acesso aberto por causa da traqueostomia”, disse.
Gilson afirmou não saber qual procedimento seria necessário, mas pediu que o pai fosse encaminhado para uma avaliação capaz de definir a retirada das larvas, inclusive com a possibilidade de intervenção em centro cirúrgico.
“Eu não sou médico, não conheço o procedimento, mas creio que ele tem que ir para um centro cirúrgico para a retirada disso. Eu quero que seja feita alguma coisa. Meu pai não pode morrer à míngua aqui”, declarou.
O familiar disse ainda que o paciente vinha apresentando melhora após mais de três meses de tratamento contra o câncer e começava a recuperar peso.
SES confirma quadro de miíase
Procurada pelo RepórterTO, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou que o paciente apresenta miíase e informou que ele foi internado na manhã do dia 14 já com o quadro.
Segundo a pasta, uma equipe multiprofissional iniciou imediatamente o tratamento clínico, com procedimentos de limpeza e curativos. A SES afirmou que o paciente permanece sob acompanhamento contínuo das equipes médica e multiprofissional do Hospital Regional de Araguaína.
A secretaria também declarou que, durante a alta da internação anterior, a família foi orientada sobre a necessidade de acompanhamento durante 24 horas em casa, devido ao risco de alterações clínicas, infecções ou sangramentos em pacientes oncológicos.
A nota, no entanto, não esclarece quanto tempo depois da internação as larvas começaram a ser retiradas, se houve demora no atendimento relatado pelo filho, nem se o paciente precisará passar por algum procedimento cirúrgico.
A SES citou regras de sigilo médico e a Lei Geral de Proteção de Dados para informar que outros detalhes do prontuário somente podem ser divulgados com autorização do familiar responsável.
Nota da SES-TO na íntegra
“A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informa que o paciente oncológico mencionado já está em tratamento clínico, recebendo cuidados de limpeza e curativo no Hospital Regional de Araguaína (HRA).
O paciente foi internado na manhã do dia 14, já apresentando quadro de miíase, sendo recebido pela equipe multiprofissional da unidade, que iniciou imediatamente o tratamento clínico e os cuidados necessários. Durante o processo de alta da última internação, a família foi devidamente orientada quanto à necessidade de acompanhamento 24 horas em casa, uma vez que o paciente oncológico está sujeito a mudanças clínicas, infecções ou sangramentos. No HRA, ele permanece sob os cuidados contínuos da equipe multiprofissional e médica.
A SES-TO ressalta que, de acordo com o artigo 1º da Resolução nº 1.638/2002 do Conselho Federal de Medicina e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a divulgação de informações contidas nos prontuários está condicionada à autorização do familiar responsável.”

