Sexta-feira, 24 de julho de 2026
Estado

Feminicídios saltam 52,8% no Tocantins e contrariam tendência nacional, aponta Anuário de Segurança Pública

Levantamento nacional cita o estado, ao lado de Amapá e Rio Grande do Norte, entre os três com maior aumento de mortes de mulheres em 2025.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tocantins registrou 20 feminicídios em 2025, contra 13 no ano anterior, alta de 52,8% na taxa por 100 mil mulheres. O avanço é mais de dez vezes superior ao verificado no restante do país, onde a taxa nacional de feminicídio subiu 4,0% no mesmo período. Os números constam do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) a partir de dados repassados pelas próprias secretarias estaduais.

A taxa tocantinense chegou a 2,5 feminicídios por 100 mil mulheres, quase o dobro da média brasileira, de 1,4. O estado ainda aparece citado nominalmente no levantamento, ao lado de Amapá e Rio Grande do Norte, entre os três com os aumentos mais expressivos nas mortes de mulheres do país.

A taxa tocantinense chegou a 2,5 feminicídios por 100 mil mulheres, quase o dobro da média brasileira, de 1,4. O estado ainda aparece citado nominalmente no levantamento, ao lado de Amapá e Rio Grande do Norte, entre os três com os aumentos mais expressivos nas mortes de mulheres do país.


Considerando todos os homicídios femininos, e não apenas os classificados como feminicídio, o Tocantins passou de 28 para 37 vítimas, alta de 31,3% na taxa, que alcançou 4,7 por 100 mil mulheres. A taxa nacional seguiu no caminho oposto e recuou 5,5%. Entre os três estados destacados, o tocantinense tem o maior índice: o Amapá registrou 4,5 e o Rio Grande do Norte, 4,1.

Mais da metade das mulheres assassinadas no estado morreu em razão da condição de gênero. A proporção de feminicídios sobre o total de homicídios femininos subiu de 46,4% para 54,1% em um ano, percentual superior ao nacional, de 44,4%.


Os crimes que antecedem a morte

O anuário trata o feminicídio como desfecho de uma escalada, precedida por ameaças, perseguição, agressões físicas e descumprimento de ordens judiciais. No Tocantins, o indicador que mais avançou nesse conjunto foi o descumprimento de medida protetiva de urgência, com 853 registros em 2025 contra 699 no ano anterior, alta de 21,3% na taxa.

Também cresceram os casos de violência psicológica, de 501 para 553, e de lesão corporal dolosa em contexto doméstico, de 2.209 para 2.343 vítimas. As ameaças contra mulheres somaram 8.209 ocorrências, taxa de 1.040,6 por 100 mil mulheres, cerca de 44% acima da média do país.

Um indicador se moveu na direção contrária. As tentativas de feminicídio caíram de 63 para 54 casos no estado, recuo de 14,9% na taxa, enquanto no Brasil a taxa de tentativas aumentou 5,9%.

Estado não informou dado sobre proteção

Uma das tabelas do levantamento mede quantas vítimas de feminicídio tinham medida protetiva de urgência em vigor no momento do crime, informação usada para avaliar se a rede de proteção chegou a ser acionada antes da morte. O campo referente ao Tocantins aparece sem preenchimento, o que indica que o estado não repassou o dado.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180, que funciona 24 horas e recebe denúncias em todo o país. Em situações de emergência, o contato é a Polícia Militar, pelo 190.