Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Estado

Empresa investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC tem contrato de R$ 107 milhões com o governo do Tocantins

Entidade mantém contrato ativo com o estado para o programa Jovem Trabalhador

Foto: Reprodução

Uma entidade investigada pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantém um contrato de mais de R$ 107 milhões com o governo do Tocantins para a execução do programa Jovem Trabalhador. A Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi) é alvo de investigação desde que seu fundador, Adair de Freitas Meira, foi preso em Goiânia no fim de abril suspeito de lavar cerca de R$ 30 milhões para a organização criminosa.

Contrato assinado apesar de irregularidades anteriores

Apesar de auditorias e sindicâncias terem identificado irregularidades envolvendo a Renapsi desde 2021, o governo do Tocantins formalizou, em julho de 2022, o contrato milionário com a entidade. O vínculo chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e por auditorias do próprio governo diante de suspeitas de pagamentos a jovens "fantasmas", mas foi mantido para garantir a remuneração de cerca de 1.500 aprendizes.

Esquema usava banco digital com endereço em Palmas

Segundo as investigações, Adair teria determinado transferências milionárias da Renapsi para a fintech Forte Bank, banco digital apontado pela polícia como usado pelo PCC. A instituição era comandada por João Gabriel Iaoamaki, indicado pelos investigadores como principal operador do esquema. O banco mantinha um endereço de fachada em uma sala comercial na Avenida Teotônio Segurado, em Palmas.

O delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação em São Paulo, afirmou que o local era usado como base operacional para movimentar valores fora do radar das autoridades. João Gabriel foi preso no Tocantins em março, durante uma operação que apreendeu meia tonelada de cocaína, e transferido para São Paulo em abril.

Polícia deve oficiar governo do Tocantins

A Polícia Civil de São Paulo informou que deve acionar estados e prefeituras com contratos ativos com a Renapsi para solicitar a suspensão de novos repasses enquanto a investigação avança.

Governo do Tocantins diz que contratos são legais

A Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) afirmou que o programa Jovem Trabalhador não é alvo da investigação e que os contratos seguem critérios legais, com respaldo do Ministério Público Estadual. Segundo a pasta, a investigação conduzida em São Paulo não tem relação com os contratos estaduais e não cabe à secretaria monitorar movimentações financeiras de pessoas físicas ou entidades.

Defesa diz que investigado é inocente

A defesa de João Gabriel Iaoamaki afirmou que ele é inocente e que nunca integrou organização criminosa. O advogado declarou ainda que a operação não guarda relação com o governo do Tocantins e que as investigações estão em fase inicial. A defesa informou que só irá se manifestar após eventual denúncia formal.

*Com informações do G1.