Vinte e três policiais militares do Tocantins tiveram a prisão preventiva decretada por suspeita de participação na chacina de Miracema do Tocantins, ocorrida em fevereiro de 2022. Entre eles está o tenente-coronel Douglas Luiz da Silva, que exercia a função de ajudante de ordens do governador Wanderlei Barbosa. Após as prisões, a Casa Militar informou o afastamento do oficial de todas as funções.
Os militares se apresentaram nesta sexta-feira (8) no Quartel do Comando-Geral da PM, em Palmas, após acordo entre o Ministério Público do Tocantins e a corporação, e foram encaminhados à Delegacia-Geral da Polícia Civil do Tocantins. A decisão foi proferida por colegiado da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins.
O ajudante de ordens do governador
Segundo a decisão judicial, Douglas Luiz da Silva integra uma equipe que teria utilizado veículo oficial para permanecer por longo período em ponto estratégico no loteamento Jardim Buriti, onde jovens foram abordados antes das execuções. A investigação aponta que o veículo permaneceu estacionado durante a madrugada e, posteriormente, seguiu trajeto compatível com o deslocamento das vítimas.
Os majores investigados
O major Wallas de Sousa Melo aparece nas investigações ligado à invasão da delegacia de Miracema, onde pai e filho foram executados dentro da unidade. Imagens o mostram nas proximidades horas antes do ataque.
O major Yurg Noleto Coelho é apontado como uma das principais lideranças informais do grupo. Segundo os autos, teria coordenado equipes, emitido ordens operacionais e posicionado viaturas para monitoramento de rotas, além de ter participado de possível eliminação de provas.
O major Wilquer Barbosa de Sousa é citado por suposta manipulação de registros de viaturas e adulterações em sistemas de monitoramento.
O capitão e os demais
O capitão Gleiston Ribeiro Pereira teria utilizado veículo que circulou repetidamente entre os locais das abordagens e o loteamento onde ocorreram as execuções. Além dos cinco oficiais, outros 18 policiais, entre tenentes, sargentos, cabos e soldados, também tiveram a prisão decretada.
Como ocorreram as mortes
Os crimes aconteceram entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022. O sargento Anamon Rodrigues de Sousa morreu durante confronto em uma plantação de mandioca. Horas depois, Valbiano Marinho da Silva foi executado na porta de casa. Na madrugada seguinte, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva foram mortos dentro da delegacia de Miracema, após invasão por homens encapuzados. No dia seguinte, os corpos de Aprígio Feitosa da Luz, de 24 anos, Gabriel Alves Coelho, de 21, e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, de 18, foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. A investigação aponta sequestro, tortura e execução, com apenas um sobrevivente.
O que dizem as instituições
Em nota, a Polícia Militar do Tocantins afirmou que acompanha o caso pela Corregedoria-Geral e que "não compactua com quaisquer desvios de conduta praticados por seus integrantes". A Secretaria da Segurança Pública informou que deve realizar entrevista coletiva para detalhar as investigações.
Todos os presos foram afastados das funções, tiveram o porte de armas suspenso e estão proibidos de acessar unidades policiais ou manter contato com testemunhas e familiares das vítima

