
Quando Stella Oliveira nasceu, com 25 semanas e seis dias de gestação e apenas 400 gramas, o cenário era de incerteza. O bebê prematuro extremo ocorre internada por 110 dias, período marcado pelo uso de aparelhos, medicamentos e monitoramento constante.
Após alta hospitalar, exames apontaram lesão cerebral associada à prematuridade, resultando no diagnóstico de paralisia cerebral com tetraplegia espástica, condição neurológica que compromete o controle dos movimentos dos quatro membros e afeta o desenvolvimento motor, da fala e da autonomia da.
Encaminhada pelo pediatra ainda nos primeiros anos de vida, fase considerada decisiva para ganhos neurológicos, Stella iniciou o acompanhamento no Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Araguaína. O tratamento incluiu estimulação precoce, fisioterapia motora, fonoaudiologia, psicologia e acompanhamento nutricional.
Evolução surpreendeu a família
No início do tratamento, Stella não estava sentada, não tinha progresso motora, não conhecia e tinha aspectos destacados nos membros. Hoje, aos 3 anos, ela caminha, se alimenta sozinha, segura lápis e pincéis e fala com desenvoltura.
A mãe, Daiane Oliveira, relembra o período de incerteza:
"Foram muitos medos, muitas noites sem dormir e muitas incertezas. Eu ouvi várias vezes que ela não iria resistir. Mas a Stella resistiu. E não só resistiu, ela venceu! Cada passo que ela dá hoje é uma vitória construída com muito amor, fé e persistência."
Segundo o fisioterapeuta Murilo Henrique, que acompanha o caso, a evolução foge do prognóstico inicial.
“A Stella apresenta um tipo de paralisia cerebral considerada mais grave, que compromete os quatro membros e todo o desenvolvimento motor. O esperado, nesses casos, é que uma criança dependa permanentemente de dispositivos. Mas ela evoluiu além do esperado. Hoje, já caminha sem o andador em alguns momentos. É uma conquista enorme.”
Corrida contra o tempo
Antes de iniciar o tratamento regular, a família buscou alternativas para cuidar das primeiras terapias. Daiane relata que especificações rifas e campanhas solidárias enquanto buscava acesso ao acompanhamento especializado.
"Eu parei minha vida para cuidar dela. Saí do trabalho, viajei de outro município, fiz tudo o que foi necessário porque quando se trata de um filho, a gente não desiste."
Hoje, a rotina inclui brincadeiras, convivência com outras crianças e o desejo de frequentar a escola.
Sobre o centro de reabilitação
O Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Araguaína oferece atendimento em reabilitação física, intelectual, visual e auditiva. A unidade atende pacientes de municípios da região meio-norte do Tocantins.
A história de Stella reúne elementos comuns a muitas famílias que enfrentam diagnósticos neurológicos na infância: prematuridade, tratamento prolongado e acompanhamento multidisciplinar, além do impacto emocional e social da jornada de reabilitação.

