Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Policial

Casal se desfez dos celulares antes da prisão por morte de menino de 3 anos em Palmas, diz delegado

Eduardo Menezes afirmou que Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira descartaram os aparelhos no dia da morte da criança, o que prejudicou a investigação; casal responde por homicídio duplamente qualificado e tortura

Foto: Divulgação

O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa e a companheira dele, Kathellen Moreira, se desfizeram dos celulares antes de serem presos pela Polícia Civil. A informação foi revelada pelo delegado Eduardo Menezes, responsável pela investigação da morte do menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, filho de Igor.

"Eles estavam escondidos em uma casa, sem televisão, sem contato nenhum com telefone celular. Inclusive os celulares deles foram dispensados, né? O próprio investigado disse que jogou fora", relatou o delegado em entrevista coletiva.

Questionado nesta segunda-feira (10), Menezes confirmou que os aparelhos teriam sido descartados no mesmo dia da morte da criança e não foram localizados pela polícia. Segundo ele, o descarte ocorreu no período em que o casal esteve hospedado em um imóvel na região norte de Palmas, onde acabou preso.

"Prejudicou muito a investigação", diz delegado

Segundo Menezes, a análise de dados telefônicos é indispensável para reconstituir a rotina dos investigados no momento do crime e checar eventuais trocas de mensagens e registros de ligações. "Uma questão que prejudicou muito a investigação. Hoje, a apreensão de celulares é um fator importante para a investigação", afirmou.

Os crimes pelos quais o casal responde

O casal responde por homicídio duplamente qualificado e tortura. Kathellen também é investigada por omissão, na condição de garantidora legal, figura jurídica aplicada a quem tinha o dever de cuidado sobre a criança e não agiu para evitar o resultado. O delegado não descartou a inclusão de outros crimes ao longo da investigação. "O que pode acontecer é ter outros crimes [...] Fraude processual também. Então, assim, o que pode acontecer é só aumentar a quantidade de crimes pelos quais eles vão ser acusados. E talvez, a gente não sabe, talvez a participação de uma outra pessoa, enfim, a gente precisa ver", explicou.

Relembre o caso

Exames periciais do Instituto Médico Legal (IML) apontaram que a causa da morte foi hemorragia interna provocada por lesões no intestino. A criança também apresentava múltiplas lesões pelo corpo, inclusive na cabeça, e indícios de violência sexual. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a criança morta sobre a cama, com hematomas visíveis no rosto. Havia garrafas de bebida alcoólica espalhadas pelo imóvel.

A mãe de Gustavo, Sabrina da Silva Feitosa, apresentou à polícia registros de que o filho voltava machucado das visitas ao pai desde 2024. Um vídeo gravado antes do crime mostra o menino chorando e se recusando a ir para a casa de Igor: "Porque ele me bate", disse a criança.

Sabrina vivia uma disputa na Justiça contra Igor pelo pagamento de pensão alimentícia e possui medidas restritivas contra ele por ter sofrido ameaças.

Igor e Kathellen foram presos na madrugada de quinta-feira (6), em uma casa na região norte de Palmas, pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Igor foi encaminhado à Casa de Prisão Provisória de Palmas, e Kathellen, à Unidade Prisional Feminina.

O que diz a defesa

A defesa de Igor afirmou que ele manteve postura colaborativa com as autoridades, inclusive ajustando a entrega voluntária dele na residência onde aguardava a equipe policial. Em nota, a defesa do casal afirmou que as acusações são graves e exigem cautela, análise técnica aprofundada e respeito ao devido processo legal, e que fatos relevantes estão sendo analisados para serem submetidos às autoridades competentes.

Nota da defesa na íntegra

Diante da grande repercussão do caso Gustavo Veloso e das diversas solicitações de manifestação encaminhadas por profissionais da imprensa, a defesa entende necessário prestar um breve esclarecimento.

As acusações apresentadas são graves e, justamente por essa razão, exigem cautela, responsabilidade e análise técnica aprofundada. Neste momento, há uma narrativa acusatória sendo amplamente reproduzida no espaço público. O processo, contudo, não se resume às informações até aqui divulgadas, e conclusões definitivas somente podem ser construídas a partir do exame integral das provas, com respeito ao contraditório e às garantias próprias do processo penal.

A defesa não pretende transformar um processo criminal em uma disputa de versões pela imprensa, tampouco antecipar provas que deverão ser apresentadas no momento e no ambiente adequados. Existem elementos relevantes que estão sendo cuidadosamente analisados e que serão oportunamente submetidos à apreciação das autoridades competentes.

Por respeito à seriedade dos fatos, às pessoas envolvidas e ao próprio trabalho da imprensa, eventuais manifestações da defesa serão feitas com responsabilidade e na medida em que não prejudiquem o regular exercício da defesa. Um julgamento exige prova, contraditório e processo.

A defesa seguirá exercendo seu trabalho com serenidade, responsabilidade técnica e absoluto respeito às instituições.

Com informações do G1 Tocantins