Três dias depois de reassumir a Prefeitura de Praia Norte, Bruna Gabrielle Neves Pires de Araújo, a Bruna do Ho Che Min, perdeu novamente o comando do município ? desta vez por decisão da Câmara Municipal. Na noite desta sexta-feira (21), sete vereadores votaram pela cassação do mandato da prefeita. Outros dois parlamentares se abstiveram.
A votação ocorreu poucas horas depois de Bruna também sofrer um novo afastamento cautelar determinado pela Justiça. Com isso, a prefeita enfrentou, no mesmo dia, duas decisões distintas: uma judicial, que a retirou temporariamente do cargo, e outra político-administrativa, que cassou o mandato.
Na Câmara, o julgamento envolveu o Processo Administrativo nº 01/2026, aberto para apurar atrasos nos repasses dos duodécimos destinados ao Legislativo municipal. A Comissão Processante considerou a denúncia procedente e recomendou a perda do mandato.
O parecer precisava do apoio de pelo menos dois terços dos vereadores para resultar em cassação. Com sete votos favoráveis, o número necessário foi alcançado.
Retorno ao cargo durou apenas três dias
A sequência de decisões envolvendo Bruna começou ainda em maio, quando ela foi afastada cautelarmente da Prefeitura por 90 dias no curso de uma investigação sobre contratos públicos.
Quando o prazo terminou, uma decisão tomada durante o plantão do Tribunal de Justiça do Tocantins prorrogou o afastamento por mais 90 dias.
A defesa recorreu e conseguiu reverter essa prorrogação. No dia 17 de agosto, o desembargador Marco Villas Boas suspendeu os efeitos da medida ao considerar que o pedido de extensão ainda precisava ser analisado pela primeira instância.
Com a decisão, Bruna voltou à Prefeitura em 18 de agosto.
A permanência, porém, foi curta.
Na tarde desta sexta-feira, antes mesmo da sessão da Câmara, o juiz Jefferson David Asevedo Ramos, da 1ª Vara de Augustinópolis, analisou o pedido e determinou um novo afastamento da prefeita até 8 de novembro.
A decisão foi tomada dentro da ação de improbidade administrativa que apura supostas irregularidades em contratos celebrados pela Prefeitura de Praia Norte.
Contratos de R$ 4,4 milhões estão sob investigação
A ação proposta pelo Ministério Público do Tocantins envolve contratos que, somados, chegam a R$ 4.487.991,21.
As apurações abrangem serviços de locação de veículos, obras e contratos celebrados com a empresa Realeza Construções Ltda.
Segundo a acusação, existem dúvidas sobre a capacidade operacional da empresa para executar os serviços contratados. A investigação também apura relatos de utilização de máquinas e servidores municipais em atividades que, formalmente, teriam sido terceirizadas.
Um dos contratos analisados pela Justiça é o de nº 72/2025, no valor de R$ 1.089.315, para execução de 930 metros de pavimentação com bloquetes.
Relatório técnico produzido durante a gestão interina apontou que cerca de 230 metros da obra haviam sido executados, enquanto os pagamentos já somavam R$ 780.717,72, mais de 70% do valor total.
Os dados ainda fazem parte da fase de apuração e não representam conclusão definitiva sobre eventual desvio, superfaturamento ou responsabilidade dos investigados.
Câmara tinha dois processos contra a prefeita
A cassação desta sexta-feira não estava relacionada diretamente aos contratos investigados na ação de improbidade.
O processo julgado pelos vereadores tratava especificamente dos atrasos nos repasses dos duodécimos da Câmara Municipal.
Havia ainda um segundo procedimento político-administrativo aberto pelo Legislativo, este relacionado às suspeitas envolvendo contratos da Realeza Construções. O julgamento estava previsto para a próxima terça-feira (25).
Com a aprovação da cassação no primeiro processo, porém, Bruna já perde o mandato por decisão da Câmara.
Além das apurações conduzidas pelo Ministério Público e pelo Judiciário, contratos da administração municipal também são objeto de procedimentos no Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO). Entre os pontos analisados estão contratações para locação de veículos, manutenção da frota e compra de peças e baterias.
As representações no Tribunal de Contas ainda estão em tramitação.
A defesa de Bruna Gabrielle pode recorrer tanto das decisões judiciais relacionadas ao afastamento quanto da cassação aprovada pela Câmara Municipal.

