Terça-feira, 1 de setembro de 2026
Política

Após TRE apontar que segurança pública não tem capacidade para atender todas as regiões do Tocantins nas eleições, TSE autoriza envio das Forças Armadas

Documento cita falta grave de viaturas com tração 4x4 e conflitos em áreas indígenas que as forças estaduais "não conseguem conter sozinhas"; TSE autorizou o envio de militares para o primeiro turno, em 4 de outubro

Foto: Pedro Ladeira - 1.out.22/Folhapress

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou, na última semana, o envio de militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira (FAB) para reforçar a segurança do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, em cidades do Tocantins, além de Rio de Janeiro, Ceará, Piauí e Acre.

O pedido de apoio federal no Tocantins partiu do próprio Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO), que acionou o TSE por considerar que os agentes de segurança locais não têm capacidade operacional para atender todas as regiões do estado durante a votação.

O que o TRE-TO apontou

Segundo o relatório apresentado à corte eleitoral, algumas zonas eleitorais do Tocantins reúnem, no mesmo local de votação, eleitores da etnia Karajá Xambioá e moradores não indígenas de fazendas do entorno, o que gera "tensões e potenciais conflitos diretos de interesses", nas palavras do documento.

O relatório também apontou uma falta grave de viaturas com tração 4x4 no estado, e destacou que áreas indígenas e de assentamentos têm histórico de conflitos que as forças estaduais não conseguem conter sozinhas.

Como as Forças Armadas vão atuar

De acordo com o TSE, os militares vão atuar para garantir a ordem em locais dominados pelo crime organizado, em aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas, regiões de fronteira e municípios de difícil acesso, tanto no Tocantins quanto nos demais estados contemplados pela decisão. As Forças Armadas também costumam prestar apoio logístico ao pleito, como o transporte de urnas eletrônicas, pessoas e materiais para localidades de acesso mais difícil, incluindo aldeias indígenas do estado.

Um pedido que também partiu de outros estados

O reforço federal solicitado pelo Tocantins segue o mesmo mecanismo usado por outros estados nesta eleição. No Rio de Janeiro, a corte eleitoral aprovou o apoio das Forças Armadas depois de o presidente do TRE local citar que um quarto da população da região metropolitana da capital vota em áreas controladas por grupos armados. O Ceará também pediu reforço federal em 66 municípios, e, no Acre, apenas dois dos 22 municípios do estado dispensaram o apoio, com os demais tribunais citando conflitos entre facções e histórico de tráfico e contrabando em regiões de fronteira.

Como funciona esse tipo de pedido

Segundo o TSE, é comum a corte aprovar apoio de forças de segurança federais em determinados locais durante eleições. Os pedidos de reforço partem dos Tribunais Regionais Eleitorais de cada estado, e cabe ao Ministério da Defesa organizar o planejamento das ações. Na eleição presidencial de 2022, o TSE aprovou a presença de agentes federais em 561 municípios e localidades de 11 estados no primeiro turno; em 2018, foram 510 cidades e localidades, também em 11 estados.