
Trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas na noite desta quinta-feira (10). O movimento alcança diferentes regiões do país e inclui o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Tocantins (Sintect-TO).
Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), a paralisação ocorre após sucessivas rodadas de negociação da campanha salarial terminarem sem acordo.
Os Correios afirmam que acionaram um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir possíveis efeitos da greve sobre os serviços. Entre as medidas anunciadas estão remanejamento de equipes, reforço das operações e ações logísticas para tentar preservar as entregas.
Até o momento, não há detalhamento específico sobre quais serviços foram afetados no Tocantins ou sobre a quantidade de trabalhadores que aderiram à paralisação no estado.
Plano de saúde está entre os principais impasses
De acordo com a Findect, um dos pontos de maior divergência nas negociações envolve o plano de saúde dos trabalhadores.
A federação afirma que a categoria tentou chegar a um acordo, inclusive em rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas não houve entendimento.
“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, informou a entidade.
Os Correios, por outro lado, afirmam que apresentaram proposta contemplando 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.
Segundo a estatal, a proposta incluía reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Impacto sobre atendimento ainda varia pelo país
A paralisação foi aprovada por sindicatos de diversos estados e regiões.
Na Paraíba, por exemplo, o presidente do sindicato local informou que apenas serviços administrativos internos estariam funcionando durante a greve.
Não há, porém, informação equivalente sobre todas as regiões. Por isso, ainda não é possível afirmar que agências, entregas ou outros serviços estejam totalmente suspensos no Tocantins.
Além do Sintect-TO, aderiram sindicatos de estados como Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, entre outros.
Greve ocorre em meio à crise financeira dos Correios
A paralisação acontece enquanto os Correios enfrentam um período prolongado de dificuldades financeiras.
A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.
Apesar disso, o resultado do segundo trimestre foi menos negativo que os registrados no primeiro trimestre deste ano e no último trimestre de 2025.
Os Correios também esperam receber uma nova injeção de recursos. Um empréstimo de R$ 7 bilhões já havia sido informado nas demonstrações financeiras divulgadas pela empresa no fim de agosto.
A expectativa é que a operação envolva um consórcio de instituições financeiras. No fim de 2025, os Correios já haviam recebido aproximadamente R$ 12 bilhões em outra operação de crédito.
Íntegra da nota dos Correios
“Diante do anúncio de paralisação por entidades sindicais, os Correios executam seu Plano de Continuidade de Negócios, com medidas para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes.
Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país.
A empresa esteve empenhada na construção de uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos, estão o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Os Correios reafirmam seu compromisso com a valorização dos empregados e a continuidade da prestação dos serviços postais à população brasileira.”

