
Profissionais de saúde da UPA Anatólio Dias Carneiro , em Araguaína (TO), relatam um cenário de superlotação , déficit de funcionários , adoecimento emocional e atraso no pagamento dos turnos referentes ao mês de dezembro. As denúncias foram encaminhadas à imprensa e descreveram uma rotina de atendimentos acima da capacidade da unidade, com impacto direto sobre pacientes e trabalhadores.
De acordo com os relatos, os setores da UPA seriam frequentemente lotados, e a equipe afirma que, em determinados momentos, pacientes em estado grave acabam sendo cancelados em áreas consideradas inconvenientes, o que, segundo os denunciantes, eleva o risco de falhas no atendimento.
“Cada plantação se transforma em uma batalha entre fazer o possível com as condições disponíveis e o medo de que algo pior aconteça por falta de recursos”, diz um trecho do relato.
Ainda segundo os profissionais, o problema não seria falta de comprometimento da equipe, mas insuficiências de condições de trabalho diante da demanda. Os trabalhadores alegam que o quadro de funcionários não acompanha o volume de atendimentos e que o desgaste tem provocado sinais de extinção.
“Há colegas trabalhando doentes porque sabem que, se faltarem, a situação se agrava”, afirma a denúncia.
Além da estrutura e do dimensionamento da equipe, o grupo também aponta atraso salarial como fator de pressão adicional. Segundo eles, o pagamento referente a dezembro não teria sido quitado dentro do prazo esperado, aumentando a sensação de insegurança entre os trabalhadores.
"Muitas vezes somos vistos e tratados como vilões, quando, na verdade, somos nós que estamos na linha de frente, dano e sofrimento tudo isso diariamente. Não queremos aplausos. Queremos condições dignas e seguras de trabalho e o cumprimento básico das obrigações trabalhistas", afirma.
O que diz a direção
Em nota, a gestão da UPA registrou um período de alta demanda na rede de urgência e emergência, mas afirmou que o cenário é reflexo de um contexto nacional e que a unidade mantém atendimento dentro das normas técnicas. A negou irregularidades estruturais e disse que todos os pacientes passam por direção de risco , com prioridade aos casos mais graves.
A gestão também afirmou que não procedeu à informação de que pacientes estariam sendo prejudicados em locais inadequados e sustentou que a UPA dispõe de “espaços estruturados, seguros e compatíveis” com sua finalidade específica.
Sobre a superlotação, a direção atribuiu parte do problema à procura por atendimentos de baixa complexidade, o que impactaria o fluxo e o tempo de espera.
Salários: gestão cita repasses no início do ano
Quanto ao pagamento dos profissionais, a direção descreveu que, ao longo de 2025, os relatórios foram quitados dentro do prazo legal, inclusive com antecipações em alguns meses. No entanto, informou que eventuais atrasos registados em janeiro podem ocorrer devido a questões orçamentárias e ao fluxo de repasses públicos no início do ano.
A gestão concluiu afirmando que mantém o diálogo com os profissionais e que busca melhorias contínuas no atendimento e nas condições de trabalho “dentro dos limites legais e operacionais” do serviço público.
Nota completa da gestão da UPA Anatólio Dias Carneiro
"A gestão da UPA Anatólio Dias Carneiro reconhece o momento desafiador enfrentado por toda a rede de urgência e emergência. Trata-se de uma realidade que não é exclusiva desta unidade ou deste município, mas reflexo de um período de alta demanda assistencial, marcado pelo aumento expressivo de atendimentos, pela sazonalidade de doenças e pela sobrecarga dos serviços de saúde em todo o país. O dimensionamento das equipes assistenciais da UPA é constantemente monitorado e segue rigorosamente o que estabelecem as resoluções dos conselhos de classe e as normativas técnicas vigentes. A unidade conta, inclusive, com dimensionamento médico e de enfermagem superior aos parâmetros mínimos previstos na portaria ministerial, considerando o porte e o perfil assistencial da unidade. Ainda assim, reconhecemos as dificuldades e os desafios inerentes ao atendimento em períodos de demanda elevada e trabalhamos cotidianamente para mitigar os impactos decorrentes de situações sazonais.
Quanto à superlotação, reforçamos que a UPA é uma porta de entrada para casos de urgência e emergência. A elevada procura por atendimentos de baixa complexidade impacta diretamente o fluxo, o tempo de espera e a dinâmica assistencial, sendo que todos os pacientes passam por classificação de risco, assegurando a priorização dos casos mais graves, conforme os protocolos assistenciais adotados nacionalmente.
Não procede a informação de que pacientes estejam sendo mantidos em locais inadequados ou sem condições assistenciais. A UPA Anatólio Dias Carneiro dispõe de espaços estruturados, seguros e compatíveis com sua finalidade, atendendo às exigências técnicas e aos protocolos nacionais. Como unidade de estabilização, os pacientes graves permanecem pelo tempo necessário até a autorização de transferência pela regulação para unidades de alta complexidade de referência, respeitando rigorosamente o fluxo assistencial estabelecido pelo sistema de saúde.A gestão da unidade mantém presença permanente e ativa, com diretores presentes presencialmente por, no mínimo, oito horas diárias, além de coordenações em todas as áreas assistenciais e administrativas, assegurando acompanhamento contínuo dos fluxos, das equipes e das condições de atendimento.
No tocante à questão salarial, ao longo de todo o ano de 2025 os pagamentos aos profissionais ocorreram dentro dos prazos legais, inclusive, em diversos meses, de forma antecipada ao quinto dia útil. Excepcionalmente no mês de janeiro, assim como ocorre em grande parte dos estados e municípios do país, há impactos decorrentes de questões orçamentárias e do fluxo de repasses públicos. Eventuais atrasos podem refletir na administração indireta, que depende do recebimento desses recursos para a manutenção de suas atividades. Ainda assim, a gestão mantém diálogo permanente com os entes responsáveis e atua de forma transparente para a regularização dos pagamentos.
A gestão reforça o respeito aos profissionais que atuam na linha de frente e mantém-se aberta ao diálogo responsável, dentro dos limites legais e operacionais do serviço público. Seguimos empenhados em garantir assistência à população e em buscar, junto aos órgãos competentes, melhorias contínuas nas condições de trabalho e no atendimento prestado à comunidade."

