O Ministério Público do Tocantins (MPTO) denunciou o policial civil Ronaldo Pereira Rocha pela morte de Luciano Ferreira da Silva e Silva, de 29 anos, filho do vereador de Couto Magalhães Lindomar Gomes da Silva, o Preto das Máquinas. O crime aconteceu em 19 de julho, na Praia de Porto Franco do Araguaia, onde Luciano trabalhava como garçom. Para o MPTO, o caso configura homicídio qualificado por motivo fútil.
O que motivou a acusação
A promotoria de Colinas do Tocantins descreve, na denúncia, uma desproporção entre a origem banal do conflito e o resultado fatal: tudo teria começado com uma briga por causa do uso de caixas térmicas particulares no estabelecimento. Depois de um primeiro atrito, Ronaldo teria deixado o local e voltado em seguida, quando nova confusão se instalou. Luciano, segundo a acusação, tentou intervir e foi atingido por um tiro no abdômen, não resistindo ao ferimento apesar do socorro.
O promotor Denys César dos Santos Silva pediu que o policial seja levado a júri popular, com tramitação prioritária do processo. Em caso de condenação, o MP também requer a perda do cargo público de Ronaldo e indenização mínima de R$ 100 mil à família de Luciano.
Entrega voluntária e investigação em duas frentes
Ronaldo é policial civil lotado em Gurupi e estava de folga no dia do crime. Ele deixou a praia e se apresentou por conta própria na Delegacia de Guaraí, acompanhado de advogado, sendo ouvido e liberado sem prisão em flagrante, conforme confirmou na época a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO). Desde então, o caso é apurado tanto pela Polícia Civil, em inquérito, quanto pela Corregedoria-Geral da Segurança Pública, na esfera administrativa.
Duas versões que ainda vão se enfrentar na Justiça
Testemunhas oferecem relatos que já circulavam antes da denúncia. O prefeito de Couto Magalhães, Júlio César Brasil, disse ter presenciado parte do episódio e descreveu que o policial discutiu com frequentadores, saiu, retornou pouco depois e deixou a praia já após o disparo. Imagens gravadas por pessoas no local, segundo reportagem do Portal Atitude, mostram banhistas tentando impedir a saída do carro do policial, sem sucesso.
Do outro lado, o Sindicato dos Policiais Civis do Tocantins (Sinpol-TO) defende Ronaldo publicamente, sustentando que ele foi agredido por várias pessoas durante a confusão e agiu em legítima defesa. Essa é a tese que a defesa deve levar à Justiça, em contraponto direto à qualificação de motivo fútil que o MP apresentou agora na denúncia. Caberá à Justiça decidir, na primeira fase do processo, se a acusação é recebida e se o caso segue para julgamento popular.
O pai da vítima cobrou respostas
A morte de Luciano mobilizou moradores e autoridades de Couto Magalhães. O pai dele, o vereador Lindomar Gomes da Silva, foi pessoalmente à SSP-TO mais de um mês após o crime para cobrar informações sobre o andamento das investigações.

