Sábado, 25 de abril de 2026
Policial

PMs e agente prisional são presos suspeitos de usar arma e farda do Estado para intimidar vítimas de agiotagem no Tocantins

Grupo teria intimidado empresário e sua mãe com arma em punho; juros chegavam a R$ 4 mil por mês

Foto: Divulgação/PCTO

Dois policiais militares, um agente do sistema prisional e um suspeito apontado como agiota foram presos nesta sexta-feira (24) em Guaraí, na região centro-norte do Tocantins. Segundo as investigações, os agentes públicos teriam usado farda e armamento oficial para pressionar vítimas durante a cobrança de empréstimos com juros abusivos.

A operação foi deflagrada pela Polícia Civil por meio da Operação Nêmesis, que cumpriu 13 ordens judiciais expedidas pelo juiz de garantias Milton Lamenha.

A dívida que não tinha fim

Um empresário de 45 anos teria contraído dívida com o suspeito identificado pelas iniciais F.A.G.A, de 52 anos, em Guaraí. Ao longo de mais de dois anos, teriam sido impostos juros mensais de até R$ 4 mil, tornando a quitação impossível. Mesmo após a venda do estabelecimento comercial, a dívida não teria sido considerada encerrada.

Quando o empresário se mudou para Palmas e abriu novo negócio, o grupo teria intensificado as cobranças. No dia 25 de fevereiro de 2026, o estabelecimento teria sido invadido por integrantes do grupo. A mãe do empresário, de 65 anos, teria sido intimidada com exibição ostensiva de arma de fogo.

Função pública usada como arma

A investigação aponta que os suspeitos teriam utilizado as funções públicas para constranger as vítimas. Um dos investigados teria simulado o registro de uma ocorrência policial para pressionar o pagamento da dívida.

O que a Justiça determinou

Além das prisões preventivas, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e três mandados de suspensão de funções públicas por 60 dias, com recolhimento das armas dos agentes.

A defesa

O advogado Vinícius Moreira informou que a defesa vai se manifestar após ter acesso aos autos. "Como se trata de processo de investigação sigilosa, qualquer comentário acerca dos fatos que ensejaram as prisões é prematuro nesse momento processual", afirmou.

A Polícia Militar e a Secretaria da Cidadania e Justiça não responderam até o fechamento desta reportagem.