
O advogado Igor Veloso de Sousa e a companheira dele, Kathellen Moreira da Silva, se tornaram réus pela morte de Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, ocorrida em agosto deste ano, em Palmas. A decisão foi proferida pelo juiz Cledson José Dias, da 1ª Vara Criminal da capital, após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO).
Igor é acusado de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen, madrasta da criança, responde por vicaricídio, por suposta omissão diante das agressões, e fraude processual.
O casal está preso desde 6 de agosto. O Ministério Público pede que os acusados sejam levados ao Tribunal do Júri e paguem R$ 100 mil de indenização à família da vítima.
Versão de afogamento foi descartada pela perícia
Gustavo morreu em 2 de agosto, enquanto passava o fim de semana na casa do pai. Igor procurou a polícia somente no fim da tarde do dia seguinte, alegando que o menino havia se afogado na piscina, expelido água e morrido enquanto dormia.
Entretanto, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) não encontrou sinais de afogamento. A criança apresentava marcas de agressões físicas e indícios de violência sexual.
A Polícia Civil também identificou alterações na cena do crime. Segundo a investigação, o corpo foi limpo, teve as roupas trocadas e foi colocado sobre uma cama, enrolado em um edredom, numa suposta tentativa de simular uma morte natural.
Mãe havia registrado sinais de agressão desde 2024
Antes da morte, Sabrina Feitosa, mãe de Gustavo, já havia registrado hematomas, arranhões e outras lesões no filho após visitas à residência paterna.
Em um dos vídeos gravados por ela, o menino aparece chorando, recusando-se a ir para a casa do pai e dizendo: "Ele me bate".
Os investigadores também identificaram um histórico de ameaças de morte e desamparo financeiro atribuídos a Igor contra Sabrina, elementos considerados na apuração do vicaricídio.
Em depoimento, segundo a polícia, o advogado admitiu que as agressões começaram depois que Gustavo disse que a mãe havia autorizado seu banho na piscina, o que teria provocado sua irritação.
Madrasta continuará presa
Kathellen tentou substituir a prisão preventiva por domiciliar, alegando, por meio da defesa, que é mãe de um bebê que tinha cinco meses e estava em fase de amamentação.
O pedido foi negado pela 1ª Vara Criminal de Palmas. A defesa recorreu, mas a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Tocantins manteve a prisão por unanimidade.
A investigação policial foi concluída no fim de setembro. Agora, com a denúncia aceita, o processo avança para a fase judicial.
Igor e Kathellen continuam presos e ainda não foram condenados. O recebimento da denúncia também não significa que o julgamento pelo Tribunal do Júri já tenha sido determinado.

