
A crise financeira dos hospitais particulares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Tocantins chegou a um ponto crítico. A partir desta quarta-feira (21), unidades afetadas pela falta de recursos deixam de receber novos pacientes em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), incluindo adultos, crianças e recém-nascidos. A restrição também atinge internações hospitalares e compromete procedimentos eletivos.
O alerta foi divulgado pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindesto), que aponta dificuldades para comprar medicamentos, adquirir materiais e manter as despesas necessárias ao funcionamento dos hospitais.
A situação é especialmente preocupante porque atinge pacientes que precisam de internação e cuidados intensivos, incluindo aqueles que dependem de equipamentos e acompanhamento contínuo para sobreviver.
Segundo o sindicato, os estabelecimentos chegaram ao limite da capacidade financeira de assumir novos atendimentos pelo SUS.
Hospitais dizem que não têm condições de receber novos pacientes
O presidente do Sindesto, Thiago Antônio de Sousa, afirma que a restrição não é uma decisão voluntária dos hospitais, mas consequência da falta de dinheiro para custear os serviços.
"Não se trata de uma decisão dos hospitais de deixar de atender, mas de uma impossibilidade financeira real. Os estabelecimentos precisam de recursos para manter suas estruturas, pagar profissionais e adquirir os insumos necessários. Sem essas condições, não é possível assumir novos pacientes com a segurança e a responsabilidade que a assistência à saúde exige", declarou.
A entidade argumenta que receber novos pacientes sem garantir medicamentos, materiais e profissionais suficientes pode comprometer a segurança da assistência.
O comunicado não informa quantos hospitais estão afetados, o número de leitos que deixarão de receber pacientes nem quais municípios serão atingidos. Também não anuncia a retirada de pacientes que já estão internados.
Sindicato já havia alertado sobre atrasos nos pagamentos
A restrição anunciada nesta quarta-feira ocorre apenas quatro dias depois de o Sindesto tornar pública a situação financeira dos prestadores de serviços de saúde no Tocantins.
No sábado (17), conforme noticiou o RepórterTO, a entidade denunciou atrasos nos pagamentos do Governo do Estado e afirmou que um acordo firmado em 7 de agosto para regularizar os débitos não havia sido integralmente cumprido.
Na ocasião, o sindicato informou que os pagamentos aos prestadores do SUS ainda estavam relacionados à competência de maio, enquanto os do Plano Servir correspondiam à competência de junho. Também alertou que os repasses parciais eram insuficientes para manter as atividades das instituições.
Quatro dias depois, o problema deixou de ser apenas um alerta sobre o risco de interrupção de serviços e passou a afetar a capacidade de admissão de novos pacientes, segundo a entidade.
O Sindesto cobra medidas urgentes para restabelecer as condições financeiras dos hospitais e evitar o agravamento da situação.

