Sábado, 17 de outubro de 2026
Estado

Atrasos nos pagamentos do Governo do Estado ameaçam atendimentos em hospitais do Tocantins e podem afetar até pacientes de planos de saúde privados

Sindicato afirma que acordo firmado em agosto não foi cumprido integralmente e busca medidas jurídicas para cobrar repasses.

Hospitais e clínicas particulares do Tocantins enfrentam dificuldades financeiras que podem comprometer a continuidade dos atendimentos à população. O alerta foi feito neste sábado (17) pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindesto), que acusa o Governo do Estado de não cumprir integralmente um acordo firmado para quitar pagamentos atrasados aos prestadores de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Plano Servir.

Segundo a entidade, mesmo após negociações e a assinatura de um compromisso envolvendo quatro secretários estaduais, os estabelecimentos continuam recebendo valores parciais por atendimentos já realizados. A situação estaria prejudicando o pagamento de fornecedores, a compra de medicamentos e a manutenção das estruturas hospitalares.

O Sindesto afirma que já está atuando por meio de sua assessoria jurídica para exigir o cumprimento do cronograma de pagamentos, estabelecido em um acordo extrajudicial firmado com o Estado em 7 de agosto deste ano.

O sindicato não informou o valor total da dívida nem detalhou quantos hospitais e clínicas estão diretamente comprometidos pelos atrasos.

Pagamentos do SUS e do Servir continuam pendentes

De acordo com a nota pública, divulgada neste sábado, os repasses aos prestadores do SUS ainda estão relacionados à competência de maio de 2026, enquanto os pagamentos do Servir correspondem à competência de junho.

Isso significa que, segundo o sindicato, ainda existem valores pendentes referentes a serviços realizados há vários meses.

A entidade afirma que o Governo tem efetuado repasses parciais, mas considera a medida insuficiente, principalmente para os estabelecimentos que continuam sem receber.

O Sindesto também cobra transparência sobre os critérios utilizados pelo Estado para distribuir os recursos entre os prestadores.

Apesar das dificuldades, o sindicato ressalta que não pretende interromper os atendimentos. Entretanto, adverte que a continuidade dos atrasos pode tornar inviável a manutenção de determinados serviços.

Crise pode atingir pacientes de outros planos de saúde

O alerta não se limita aos usuários do SUS e do Servir.

Segundo o Sindesto, hospitais e clínicas utilizam as mesmas instalações, equipes médicas, equipamentos e materiais para atender pacientes de diferentes convênios.

Por isso, a falta de recursos de uma parte dos contratos pode prejudicar o funcionamento de toda a instituição.

A entidade cita, entre os planos que também podem ser afetados, a Cassi e o Bradesco Saúde.

O risco apontado é que dificuldades para comprar medicamentos, pagar fornecedores e manter as equipes acabem comprometendo serviços utilizados por pacientes que não dependem diretamente dos pagamentos do Governo Estadual.

A nota não informa que atendimentos tenham sido suspensos nem identifica unidades que já tenham interrompido serviços em decorrência dos atrasos.

Rede pesquisada realiza mais de 45 mil procedimentos por mês

Para demonstrar a dimensão do problema, o Sindesto apresentou dados de um levantamento realizado com parte dos hospitais e estabelecimentos de saúde associados.

As unidades pesquisadas realizam, juntas, mais de 45 mil procedimentos mensais, incluindo consultas, exames, cirurgias, internações e terapias.

45 mil+

Procedimentos por mês

6,5 mil

Pacientes atendidos por mês

202

Leitos ativos

78

Leitos de UTI

17

Salas cirúrgicas

5,6 mil+

Profissionais

Fonte: levantamento divulgado pelo Sindesto. Os números abrangem apenas parte da rede privada de saúde do Tocantins.

Os dados mostram o porte das instituições que podem ser atingidas pela crise financeira. O sindicato, porém, não detalhou quantas dessas unidades já enfrentam restrições operacionais diretamente relacionadas aos atrasos.

Sindicato cobra cumprimento de acordo firmado com quatro secretários

O impasse ocorre pouco mais de dois meses após a assinatura do acordo extrajudicial que deveria estabelecer um calendário para regularizar os débitos.

Segundo o Sindesto, o documento foi firmado em 7 de agosto, após sucessivas tentativas de negociação, e contou com a participação de quatro secretários estaduais.

A entidade afirma que o Governo não cumpriu integralmente os compromissos assumidos e que a manutenção dos pagamentos parciais não resolve a situação financeira dos prestadores.

Diante disso, o sindicato informou que passou a atuar por meio de sua assessoria jurídica para cobrar o cumprimento do acordo. A nota não esclarece se alguma ação judicial já foi protocolada.

O Sindesto também afirma que permanece aberto ao diálogo, mas espera providências efetivas para evitar que as dificuldades financeiras afetem a assistência à população tocantinense.

Confira a íntegra da nota pública do Sindesto

NOTA PÚBLICA

O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindesto) alerta para a situação operacional crítica enfrentada por hospitais e clínicas em razão dos atrasos nos pagamentos do Governo do Estado aos prestadores do Plano Servir e da rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS). A continuidade desse cenário ameaça a capacidade de funcionamento das instituições e pode comprometer a assistência à população, inclusive aos usuários de outros planos de saúde.

Após sucessivas tentativas de negociação, foi firmado, em 7 de agosto de 2026, um acordo extrajudicial com a participação de quatro secretários estaduais signatários, estabelecendo um cronograma para regularização dos débitos. No entanto, os compromissos não foram integralmente cumpridos. Atualmente, os pagamentos estão relacionados à competência de maio do SUS e à competência de junho do Servir, com repasses parciais e valores ainda pendentes por serviços já prestados.

A dimensão do problema vai além dos beneficiários do Servir e do SUS. Levantamento realizado pelo Sindesto com parte das instituições afiliadas aponta que essas unidades realizam mais de 45 mil procedimentos mensais, entre consultas, exames, cirurgias, internações e terapias, e prestam assistência a aproximadamente 6,5 mil pacientes por mês. A estrutura levantada reúne 202 leitos ativos, 78 leitos de UTI, 17 salas cirúrgicas e mais de 5,6 mil profissionais. Os números representam apenas parte da rede privada de saúde do Tocantins.

A crise financeira também pode atingir usuários de outros planos de saúde, como Cassi e Bradesco Saúde, uma vez que os estabelecimentos compartilham estruturas, equipes, equipamentos e insumos para atender diferentes públicos. As dificuldades para pagar fornecedores, adquirir medicamentos e manter os serviços em funcionamento colocam em risco a capacidade operacional das instituições e podem ampliar a pressão sobre toda a rede de assistência.

O Sindesto ressalta que tem mantido diálogo com o Governo do Estado, mas os repasses parciais não resolvem a situação, especialmente para os prestadores que permanecem sem receber. A entidade também solicita transparência quanto aos critérios adotados para a distribuição dos recursos.

Diante do descumprimento dos compromissos assumidos, o Sindesto informa que vem atuando por meio de sua assessoria jurídica para forçar o Estado a cumprir o cronograma de pagamentos estabelecido no acordo extrajudicial, aceito pelo próprio Governo.

O sindicato reforça que não deseja a interrupção dos atendimentos, mas alerta que a manutenção dos atrasos pode comprometer a continuidade dos serviços. A entidade espera providências efetivas do Governo do Estado para assegurar condições financeiras às instituições e preservar a assistência à população tocantinense.

Sindesto ? Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins

Palmas, 17 de outubro de 2026.