Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Estado

Médicos denunciam situação desesperadora na hemodiálise do HGP, com pacientes há mais de 72 horas sem tratamento e risco de mortes

Sindicato dos Médicos cobra providências urgentes do Governo do Tocantins

Pacientes em estado grave estão passando mais de três dias sem conseguir fazer hemodiálise no Hospital Geral de Palmas (HGP), mesmo com indicação médica de urgência. A denúncia foi tornada pública nesta terça-feira (20) pelo Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins (SIMED-TO), que alerta para o risco de mortes no maior hospital público do estado.

Entre os pacientes que aguardam tratamento estão pessoas com insuficiência respiratória e hipercalemia, condição em que o excesso de potássio no sangue pode provocar alterações cardíacas graves e até paradas cardíacas.

O problema, segundo a entidade, não é a falta de médicos para indicar o procedimento, mas a estrutura insuficiente para realizá-lo. A situação foi denunciada formalmente às autoridades pela própria equipe de nefrologistas do hospital.

"A situação descrita pelos plantonistas é desesperadora e expõe um colapso inadmissível na assistência à saúde pública do Estado, com risco iminente de óbitos por falta de condições básicas para a realização de hemodiálise no hospital", afirmou o sindicato.

Pacientes não conseguem chegar ao setor de hemodiálise

Uma das situações mais preocupantes envolve os doentes internados no pronto-socorro que não apresentam condições clínicas para serem transportados até o setor de hemodiálise, localizado no térreo do HGP.

Em determinados casos, o deslocamento pode agravar o quadro de saúde. A alternativa seria realizar o procedimento no próprio leito, mas os médicos relatam que o hospital não dispõe dos equipamentos e das condições necessárias para atender toda a demanda dessa forma.

Entre as carências apontadas estão aparelhos de osmose reversa, responsáveis pela purificação da água utilizada na hemodiálise, e equipamentos adequados para procedimentos prolongados em pacientes instáveis.

Com isso, pessoas que precisam de tratamento imediato acabam aguardando enquanto os profissionais enfrentam limitações para prestar a assistência.

Sindicato responsabiliza Governo pela falta de estrutura

O SIMED-TO afirma que os nefrologistas estão sendo colocados em uma situação na qual, mesmo conhecendo o tratamento necessário, não conseguem executá-lo por falta de recursos.

"Não aceitaremos que o esforço médico, por maior que seja, continue servindo de escudo para a ineficiência estatal. A responsabilidade não pode recair sobre os profissionais", declarou a entidade.

O sindicato cobra da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) a ampliação do número de máquinas de hemodiálise, equipamentos para atendimento à beira-leito e profissionais capacitados para reforçar o serviço.

Também exige uma solução imediata para os pacientes que já aguardam o procedimento e a apresentação de medidas para evitar novos atrasos.

A entidade informou que poderá recorrer aos órgãos de controle para cobrar providências do poder público.