Pacientes em estado grave estão passando mais de três dias sem conseguir fazer hemodiálise no Hospital Geral de Palmas (HGP), mesmo com indicação médica de urgência. A denúncia foi tornada pública nesta terça-feira (20) pelo Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins (SIMED-TO), que alerta para o risco de mortes no maior hospital público do estado.
Entre os pacientes que aguardam tratamento estão pessoas com insuficiência respiratória e hipercalemia, condição em que o excesso de potássio no sangue pode provocar alterações cardíacas graves e até paradas cardíacas.
O problema, segundo a entidade, não é a falta de médicos para indicar o procedimento, mas a estrutura insuficiente para realizá-lo. A situação foi denunciada formalmente às autoridades pela própria equipe de nefrologistas do hospital.
"A situação descrita pelos plantonistas é desesperadora e expõe um colapso inadmissível na assistência à saúde pública do Estado, com risco iminente de óbitos por falta de condições básicas para a realização de hemodiálise no hospital", afirmou o sindicato.
Pacientes não conseguem chegar ao setor de hemodiálise
Uma das situações mais preocupantes envolve os doentes internados no pronto-socorro que não apresentam condições clínicas para serem transportados até o setor de hemodiálise, localizado no térreo do HGP.
Em determinados casos, o deslocamento pode agravar o quadro de saúde. A alternativa seria realizar o procedimento no próprio leito, mas os médicos relatam que o hospital não dispõe dos equipamentos e das condições necessárias para atender toda a demanda dessa forma.
Entre as carências apontadas estão aparelhos de osmose reversa, responsáveis pela purificação da água utilizada na hemodiálise, e equipamentos adequados para procedimentos prolongados em pacientes instáveis.
Com isso, pessoas que precisam de tratamento imediato acabam aguardando enquanto os profissionais enfrentam limitações para prestar a assistência.
Sindicato responsabiliza Governo pela falta de estrutura
O SIMED-TO afirma que os nefrologistas estão sendo colocados em uma situação na qual, mesmo conhecendo o tratamento necessário, não conseguem executá-lo por falta de recursos.
"Não aceitaremos que o esforço médico, por maior que seja, continue servindo de escudo para a ineficiência estatal. A responsabilidade não pode recair sobre os profissionais", declarou a entidade.
O sindicato cobra da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) a ampliação do número de máquinas de hemodiálise, equipamentos para atendimento à beira-leito e profissionais capacitados para reforçar o serviço.
Também exige uma solução imediata para os pacientes que já aguardam o procedimento e a apresentação de medidas para evitar novos atrasos.
A entidade informou que poderá recorrer aos órgãos de controle para cobrar providências do poder público.

