Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Araguaína

Motorista acusado de matar pai e bebê de 2 meses em acidente na BR-153 vai a júri popular em Araguaína

Justiça entendeu que há indícios de dolo eventual, quando o condutor assume o risco de provocar mortes; réu segue preso preventivamente

Lucas Rodrigues Monteiro continuará preso preventivamente
Lucas Rodrigues Monteiro continuará preso preventivamente Foto: RepórterTO

A Justiça decidiu mandar a júri popular o motorista acusado de provocar o acidente que matou um pai e um bebê de dois meses na BR-153, em Araguaína, no norte do Tocantins. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (8) pelo juiz Carlos Roberto de Sousa Dutra, da 1ª Vara Criminal.

O réu, Lucas Rodrigues Monteiro, continuará preso preventivamente enquanto aguarda o julgamento. Na decisão, o magistrado apontou que há indícios de que o motorista teria assumido o risco de causar o acidente, hipótese conhecida como dolo eventual.

O caso aconteceu na manhã de 14 de dezembro de 2025, em um trecho urbano da BR-153. Segundo as investigações, Lucas dirigia no mesmo sentido da motocicleta ocupada por Caio Pinheiro Rocha, Winglidy Soares Magalhães e o filho do casal, quando atingiu a traseira do veículo após mudar de faixa.

Caio morreu ainda no local. O bebê chegou a ser socorrido, mas morreu durante atendimento médico. A mãe da criança sobreviveu.

Ao decidir pela pronúncia do réu, o juiz destacou que depoimentos, laudos periciais e outros elementos reunidos no processo apontam indícios suficientes para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes contra a vida.

Entre os fatores mencionados na decisão estão a suspeita de direção sob efeito de álcool, a condução do veículo durante chuva e o possível desgaste de pneus do carro envolvido no acidente.

Durante interrogatório, Lucas negou ter ingerido bebida alcoólica no dia da colisão. Ele afirmou que havia consumido álcool apenas na noite anterior e sustentou que a motocicleta teria invadido sua trajetória.

O motorista responde por duplo homicídio qualificado pelas mortes de Caio e do bebê, além de tentativa de homicídio contra a mãe da criança. O processo também aponta possíveis crimes de trânsito, incluindo dirigir sob efeito de álcool e tentativa de deixar o local após a batida.

A defesa ainda pode recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça do Tocantins. Caso a decisão seja mantida, o processo seguirá para definição da data do júri popular.