Terça-feira, 28 de julho de 2026
Estado

Justiça anula concurso de Nova Olinda por irregularidades e manda prefeitura fazer nova seleção em 3 meses

Sentença atendeu a ação do MPTO e reconheceu falhas graves nas provas de 2021, como vazamento de gabaritos nas redes e ausência de detectores de metais; candidatos poderão reaver a taxa de inscrição

Foto: Divulgação

A Justiça anulou o concurso público de Nova Olinda por uma série de irregularidades na aplicação das provas e determinou que a prefeitura realize uma nova seleção em até três meses. A sentença, publicada na última sexta-feira (24), atendeu a uma ação civil pública do Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) e garante a devolução das taxas de inscrição aos candidatos que não quiserem participar do novo certame.

O caso começou com denúncias de candidatos sobre falhas nas provas, aplicadas em 24 e 31 de outubro de 2021. As reclamações levaram a 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína a abrir investigação e, em fevereiro de 2022, a ajuizar a ação que questionava a legalidade do concurso.

As falhas apontadas

Segundo o Ministério Público, as irregularidades não eram episódios isolados e comprometeram a segurança e a igualdade entre os candidatos. Entre as falhas estão a ausência de conferência de documento de identidade, a falta de detectores de metais, o vazamento de imagens das provas e dos gabaritos nas redes sociais durante a aplicação e a distribuição inadequada dos cadernos de prova.

Um dos pontos que reforçaram a tese do MPTO foi a contradição entre uma testemunha da defesa, que afirmou ter passado por detector de metais, e a própria banca organizadora, que admitiu não ter usado o equipamento durante as provas.

O que diz a sentença

Na decisão, a Justiça concluiu que o conjunto das irregularidades comprometeu a lisura do concurso e violou princípios constitucionais do acesso a cargos públicos, como a moralidade, a impessoalidade e a isonomia. Por isso, declarou a nulidade do certame e de todos os atos derivados dele, incluindo a homologação, as nomeações e as posses feitas com base no resultado.

O que acontece agora

Além de anular o concurso, a Justiça determinou que Nova Olinda realize uma nova seleção em três meses, seguindo as normas constitucionais e as medidas necessárias para garantir a segurança do processo. Os candidatos que não quiserem participar do novo certame poderão reaver a taxa de inscrição.

Para não interromper serviços essenciais, os servidores das áreas de saúde e educação nomeados no concurso anulado permanecerão nos cargos até a conclusão da nova seleção.