
O deputado estadual Jorge Frederico (PSDB) rebateu nesta quinta-feira (16) as cobranças do governador Wanderlei Barbosa sobre a demora na tramitação do projeto de lei que autoriza a captação de R$ 56 milhões não reembolsáveis do BNDES, por meio do Fundo Amazônia. Frederico negou qualquer responsabilidade e afirmou que as informações levadas ao governador estão "totalmente equivocadas." O RepórterTO apurou junto ao sistema da Assembleia Legislativa do Tocantins que o processo de fato não chegou à comissão presidida pelo deputado.
O dia em que a base simplesmente não apareceu
Os fatos de quarta-feira (15) contam a história melhor do que qualquer declaração. Na manhã e na tarde, Jorge Frederico abriu as sessões ordinárias do plenário da Assembleia e foi obrigado a encerrá-las por falta de quórum. Os parlamentares da base do governo não estavam presentes. À tarde, o mesmo se repetiu na Comissão de Finanças: o deputado Olyntho Neto abriu a sessão e teve de encerrá-la pelo mesmo motivo. Três sessões. Três encerramentos. Base ausente nas três.
Governador cobrou, mas a cobrança foi para o lado errado
A pressão do governador veio após o envio de um pedido de prorrogação de prazo de 60 dias ao BNDES para viabilizar a operação. Em vídeo, Wanderlei Barbosa pediu urgência na análise das comissões da Assembleia, citando diretamente os colegiados presididos por Jorge Frederico e Olyntho Neto. O recado chegou ao deputado errado.
"O projeto nem chegou à minha comissão"
Jorge Frederico, presidente da Comissão de Administração, Trabalho e Defesa do Consumidor, explicou que, regimentalmente, não poderia analisar uma matéria que nunca foi distribuída ao seu colegiado. "As informações que chegaram até o governador Wanderlei estão totalmente equivocadas. Quem levou essa informação a ele merece um puxão de orelha", afirmou.
O recado à base
Com os fatos na mão, o deputado foi direto. "Se alguém precisa de um puxão de orelha, de uma articulação melhor, é a base do governo que precisa estar lá. Matérias importantes como essa precisam ser analisadas com mais celeridade, mas precisam de presença para cumprir o papel parlamentar", declarou Frederico.
O que está em jogo
Os R$ 56 milhões são recursos não reembolsáveis destinados a projetos como análise do Cadastro Ambiental Rural, modernização do Naturatins, apoio a pequenos produtores via Ruraltins e ações do batalhão ambiental. A liberação depende de autorização legislativa, e a demora coloca em risco o cronograma previsto pelo governo estadual.
Apesar do embate, Jorge Frederico descartou resistência ao projeto. "Eu estou pronto para fazer o Tocantins andar, não tem traves comigo de forma alguma", afirmou.

