Quarta-feira, 1 de julho de 2026
Policial

Gaeco deflagra operação contra núcleo do PCC que comandava o "Tribunal do Crime" no Tocantins

Ação cumpriu 13 prisões preventivas, 14 mandados de busca e apreensão e bloqueou cerca de R$ 1 milhão da facção em cinco municípios do estado.

Foto: Divulgação/MPTO

O Ministério Público do Tocantins, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (30) uma operação contra um dos principais núcleos do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Segundo o órgão, o alvo foram integrantes apontados como responsáveis por impor as regras da facção, aplicar punições e manter o controle territorial em diferentes municípios tocantinenses.

O que foi cumprido e onde

Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão, além de uma determinação judicial de sequestro de ativos financeiros no valor aproximado de R$ 1 milhão, medida que, segundo o Gaeco, teve como objetivo interromper o fluxo financeiro da organização. As diligências ocorreram de forma simultânea em Araguaína, Gurupi, Guaraí, Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, com as medidas autorizadas pela Justiça a partir de representação apresentada pelo próprio Gaeco.

Operação nasceu de celulares apreendidos em fase anterior

A ação é um desdobramento da Operação Regresso II, que já havia identificado integrantes da facção no Tocantins em etapa anterior. De acordo com o Ministério Público, a nova fase teve origem na análise de aparelhos celulares apreendidos na primeira operação, cujo conteúdo teria revelado uma estrutura criminosa mais ampla e organizada do que a inicialmente mapeada.

O chamado "Tribunal do Crime" e a função de "disciplina"

Segundo as investigações, os alvos integravam um núcleo apontado como responsável pelo chamado "Tribunal do Crime", mecanismo que, conforme o Gaeco, a organização utilizaria para julgar membros, impor regras internas e aplicar punições que incluiriam espancamentos, torturas e execuções. De acordo com o órgão, os investigados exerciam a função conhecida na facção como "disciplina", que segundo as apurações seria encarregada de fiscalizar o cumprimento de normas internas, cobrar condutas de membros e garantir domínio territorial em diferentes regiões do estado.

Suspeita de esquema de lavagem de dinheiro

A investigação também identificou indícios de um esquema de lavagem de dinheiro voltado a ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas. Segundo o Gaeco, os valores eram movimentados por meio de transferências eletrônicas, principalmente via Pix, para contas usadas na concentração e circulação do dinheiro da facção.

Justiça acolheu representação do MP

Conforme a representação apresentada pelo Ministério Público e acolhida pela Justiça, os elementos reunidos na apuração indicariam uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções e atuação permanente, além de suposta prática de crimes relacionados a tráfico de drogas, lavagem de capitais e violência organizada. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa dos investigados.