
A situação da dengue em Araguaína atingiu um nível crítico nas últimas semanas, com um aumento exponencial no número de casos confirmados, óbitos e uma infestação alarmante do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Dados compilados a partir de boletins epidemiológicos da Secretaria Municipal de Saúde e reportagens anteriores revelam um cenário de grave crise na saúde pública da cidade.
Entre o dia 12 de fevereiro e 6 de março, o número de casos confirmados da doença saltou de 502 para 1.410, um crescimento de 180% em aproximadamente duas semanas. No total, a cidade já contabiliza 3.309 notificações, com quatro mortes confirmadas e uma quinta em investigação. A doença se espalha rapidamente pelo território: 85% dos bairros de Araguaína já registram casos prováveis, e 73% deles estão com transmissão ativa do vírus.
O que mais preocupa as autoridades de saúde é o altíssimo Índice de Infestação Predial (IIP), que mede a presença de larvas do mosquito. Em Araguaína, o índice chegou a 9,9%, um valor quase dez vezes superior ao máximo de 1% considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Índices acima de 3,9% já indicam risco de surto epidêmico, o que classifica a situação do município como extremamente grave.
| Indicador | Dados de 12/02 | Dados de 06/03 | Variação |
| Casos Confirmados | 502 | 1.410 | +180% |
| Óbitos Confirmados | 3 | 4 | +1 |
| Notificações | 1.418 | 3.309 | +133% |
| Índice de Infestação | Não divulgado | 9,9% | Risco de Surto |
Agravando o cenário, a Secretaria de Estado da Saúde informou que os quatro sorotipos de dengue circulam no Tocantins. A infecção por um sorotipo diferente do que o paciente já teve aumenta significativamente o risco de desenvolver formas graves da doença, como a dengue hemorrágica.
Segundo a secretária municipal da Saúde, Dênia Rodrigues, um dado alarmante é que cerca de 70% dos focos do mosquito estão sendo encontrados dentro das residências. "A participação da população é fundamental, porque 70% dos focos estão sendo identificados dentro da casa dos cidadãos", destacou a secretária em comunicado.
A prefeitura afirma que tem intensificado as ações de combate, com mobilizações em unidades de saúde e escolas, visitas domiciliares e eliminação de criadouros. No entanto, o avanço rápido da doença exige uma resposta ainda mais enérgica e a colaboração massiva da comunidade para eliminar os focos do Aedes aegypti e frear a epidemia que se instala na cidade.
A orientação para a população é procurar uma unidade de saúde imediatamente ao apresentar sintomas como febre alta, dores no corpo e de cabeça, dor atrás dos olhos, náuseas ou manchas vermelhas na pele. A prevenção, eliminando qualquer recipiente com água parada, continua sendo a principal arma contra a doença.

