
Araguaína vive uma epidemia de dengue. Os números oficiais assustam: são 3.309 casos notificados, três mortes confirmadas e 104 pacientes com sinais de alarme. Em apenas uma semana, os casos confirmados saltaram de 1.751 para 2.067 — um crescimento de 20%. Comparado ao mesmo período de janeiro de 2025, o aumento chega a 625%.
Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde e do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), referência em doenças infectocontagiosas para toda a região norte do Tocantins, sul do Pará e parte do Maranhão.
A médica Isabela Macedo, especialista em Saúde da Família e chefe da Divisão Médica do HDT-UFNT, confirma a gravidade do cenário. "Araguaína tem vivenciado uma epidemia de dengue, com 3.309 casos notificados e três óbitos nesse período. Entre os casos confirmados, 104 apresentam sinais de alarme", afirma.
Saúde sobrecarregada
O volume de casos já pressiona a rede de saúde do município. Unidades básicas, prontos-atendimentos e hospitais registram aumento expressivo na procura por atendimento. "Essa elevação da demanda pressiona a capacidade assistencial, exige reorganização de leitos, ampliação do monitoramento clínico dos pacientes e maior utilização de insumos e recursos da rede de saúde", explica Isabela.
O que fazer ao sentir os sintomas
A especialista orienta que, ao apresentar febre, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar, o paciente deve procurar atendimento médico imediatamente, manter boa hidratação e evitar anti-inflamatórios e aspirina, que aumentam o risco de sangramento.
Alguns sintomas exigem atenção redobrada. "Caso surjam sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos e sonolência excessiva, é preciso procurar atendimento com urgência, pois podem indicar agravamento da doença", alerta a médica.
Sem medicamento específico
O tratamento da dengue é de suporte — não existe remédio contra o vírus. Nos casos leves, o acompanhamento é ambulatorial. Nos casos graves, a internação é necessária para hidratação venosa e monitoramento clínico.
"Se cada um fizer a sua parte, cuidando das suas casas, juntamente com o apoio do município em medidas de prevenção, combate e vigilância, conseguiremos conter a doença", conclui Isabela Macedo.

