
A Polícia Civil do Tocantins concluiu o inquérito que apurou a morte de Ágatha Maria, de apenas 3 anos, vítima de afogamento em um parque aquático localizado em Paraíso do Tocantins. O caso ocorreu na manhã do dia 6 de abril e foi investigado pela 63ª Delegacia de Polícia de Paraíso.
De acordo com o delegado José Lucas Melo, titular da 5ª Delegacia Regional e responsável pela unidade, Ágatha estava no clube acompanhada dos pais, de 24 e 25 anos, de uma tia adolescente e de três irmãos. Em determinado momento, os responsáveis se afastaram, acomodando-se à beira da piscina adulta, enquanto as crianças brincavam na área infantil.
As investigações apontam que, nesse intervalo, Ágatha acompanhou outras crianças até a piscina de adultos e passou a brincar na escada de acesso. ?Em certo momento, as demais crianças se afastam e a menina pisa em falso nos degraus e termina se afogando. O fato é muito rápido e as pessoas presentes não percebem. Em razão das cores de seu traje, similares ao da piscina, demora cerca de 10 minutos até que ela seja encontrada por uma outra criança, que avisa ao pai?, explicou o delegado.
As câmeras de segurança do local registraram toda a movimentação. Durante o período em que esteve submersa, os pais chegaram a procurá-la pelas dependências do clube.
Ágatha foi socorrida por funcionários do parque aquático e levada ao Corpo de Bombeiros, sendo encaminhada ao Hospital Regional de Paraíso. Apesar do atendimento prestado, não resistiu.
A Polícia Civil analisou as imagens, colheu documentos do clube ? que possui funcionamento regular ? e ouviu os envolvidos. Com base nos elementos apurados, foi constatada negligência por parte dos pais, que deixaram a criança sem supervisão em local de risco. Ambos foram indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Contudo, conforme destacou o delegado, a legislação prevê a possibilidade de perdão judicial nesses casos. ?A própria legislação prevê para tais casos, um instituto chamado de perdão judicial: medida em que se reconhece que o próprio resultado do crime acarreta em sofrimento tão grande ao responsável, que a aplicação de uma sanção se torna desnecessária?, afirmou.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que devem analisar as medidas legais cabíveis.
Por fim, o delegado fez um alerta: ?São situações que ocorrem muito rapidamente e que podem, como no caso analisado, ter desfecho trágico, uma vez que sem a supervisão dos responsáveis, a criança pode se deparar com situações de extremo risco, nos quais pode não ter capacidade ou discernimento necessários para avaliar o perigo?, concluiu.

