Quinta-feira, 30 de abril de 2026
Policial

Polícia Civil do Tocantins prende no Paraguai hacker suspeito de vender dados sigilosos de policiais de seis estados

Suspeito morava em condomínio de luxo no Paraná e teria faturado R$ 90 mil em 40 dias; lucro total estimado em R$ 6 milhões desde 2023

Foto: Divulgação/PCTO

Um homem suspeito de montar um esquema de captura e venda de dados sigilosos de policiais civis e militares de pelo menos seis estados brasileiros foi preso no Paraguai após tentar fugir ao perceber que estava sendo investigado. A prisão é resultado da Operação Rollback, deflagrada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Tocantins.

O suspeito, morador de Paranavaí, no Paraná, não teve o nome divulgado pela polícia. Dois endereços dele foram alvo de buscas. O computador usado nos crimes foi apreendido em sua residência, localizada em um condomínio de luxo. Uma arma calibre 9mm foi encontrada em sua empresa.

Como o esquema funcionava

Segundo as investigações, o suspeito realizou ao menos quatro campanhas de phishing contra policiais civis do Tocantins entre 2024 e março de 2026. A técnica consiste em enganar usuários por meio de páginas falsas que simulam sistemas institucionais para roubar senhas e logins de acesso.

Com as credenciais obtidas, ele montou uma estrutura de servidores virtuais que acessava automaticamente os sistemas policiais e realizava consultas de dados sigilosos de pessoas e veículos. As informações eram vendidas em plataformas clandestinas na internet. "Consideramos que este alvo possui uma extrema periculosidade social, pois vendia dados sigilosos de órgãos de segurança pública, inclusive para o crime organizado", afirmou o delegado Antônio Onofre Oliveira da Silva Filho.

Alcance nacional

Além dos policiais tocantinenses, o esquema comprometeu credenciais de agentes do Piauí, Amazonas, Maranhão, Paraná e sistemas de DETRANs de outros estados. No Tocantins, ao menos sete credenciais foram afetadas.

Para dificultar a identificação, o suspeito usava VPNs que simulavam conexões de países europeus, do Oriente Médio e da Ásia. "Mesmo assim, conseguimos identificar o responsável. Ninguém fica anônimo na internet", afirmou o delegado.

O lucro e a lavagem

Em apenas 40 dias, entre março e abril de 2026, o suspeito teria faturado cerca de R$ 90 mil. Considerando a atuação desde pelo menos 2023, a estimativa de lucro total chega a R$ 6 milhões. A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros no mesmo valor.

Para ocultar a origem do dinheiro, ele teria constituído uma empresa de fachada registrada como prestadora de serviços de análise de crédito, segundo as investigações. Ostentava alto padrão de vida nas redes sociais e adquiriu imóveis de alto padrão com recursos das atividades ilícitas.

O nome da operação

Rollback é um termo da tecnologia da informação usado para desfazer uma transação em um banco de dados, retornando ao estado anterior. A Polícia Civil escolheu o nome em alusão ao objetivo da investigação: restabelecer a integridade dos bancos de dados da segurança pública.

Atualização

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins, o suspeito foi transferido ao Brasil e se encontra detido no Paraná neste momento.