Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
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Justiça Federal libera continuidade das obras da ponte de Xambioá

Justiça Federal libera continuidade das obras da ponte de Xambioá
Justiça Federal libera continuidade das obras da ponte de Xambioá

Projeto integra o Novo PAC, está 95% concluído e teve paralisação revertida após decisão do TRF1; obra é estratégica para escoamento da produção agropecuária

A Justiça Federal autorizou a retomada das obras da ponte sobre o rio Araguaia, na BR-153, que liga os municípios de Xambioá (TO) e São Geraldo (PA). A estrutura é considerada estratégica para o escoamento da produção agropecuária entre o Norte e o Centro-Oeste do país, especialmente gado e soja. A liberação foi concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Com 1,7 quilômetro de extensão e 12 metros de largura, a ponte é uma alternativa à travessia feita por balsas no local e está 95% pronta, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O cronograma atual prevê a entrega da obra no segundo semestre de 2025.

A decisão do TRF1 atende a um pedido do DNIT e da AGU, que alegaram que a suspensão da construção causava dano grave ao interesse público, prejudicando o fluxo logístico entre os estados e gerando prejuízos financeiros. A paralisação havia sido determinada após ação da empresa OAS Engenharia e Construção S.A., que questionava sua exclusão da fase de habilitação da licitação.

Na decisão que autoriza a retomada, o TRF1 destacou que a interrupção da obra compromete a logística integrada nacional, aumenta os custos de produção e transporte e mantém a dependência da travessia por balsa, que traz riscos à segurança dos usuários e limita a eficiência da malha rodoviária.

Ainda segundo o tribunal, o adiamento poderia elevar em até R$ 130 milhões o custo final da obra, caso a execução precisasse ser deslocada para períodos de chuvas intensas.

Obra iniciada com atraso e custo ampliado

O contrato da ponte foi assinado ainda em 2017, durante o governo Michel Temer, mas a ordem de serviço só foi emitida pelo DNIT em 2020, após disputas judiciais. Inicialmente orçada em R$ 132 milhões, a construção sofreu diversos reajustes. Hoje, a estimativa de custo supera R$ 232,8 milhões, considerando ponte e acessos.

Apesar da estrutura da ponte estar praticamente concluída, a ligação entre ela e as estradas ainda não foi feita. O DNIT informou que os acessos fazem parte de um contrato separado, o que impede o uso da ponte até a conclusão dessas obras.

O projeto faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal como uma das prioridades de investimento em infraestrutura. A BR-153, onde a ponte está localizada, é um dos principais eixos de escoamento da chamada fronteira agrícola do Matopiba ? que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.